Revistas institucionais José Luiz Delgado Professor de Direito da UFPE

Publicado em: 31/07/2018 03:00 Atualizado em: 31/07/2018 08:59

Haverá revistas abertas, quer dizer, nas quais qualquer um pode colaborar, enviando um texto para pretender ser publicado. E há revistas institucionais, revistas criadas e mantidas por uma instituição qualquer. Nestas, é evidente que devem publicar artigos somente os membros da instituição.

Se há sentido na existência de conselhos editoriais para o primeiro tipo de revistas, conselhos encarregados de selecionar as colaborações que serão publicadas, não há sentido algum na existência de tais conselhos nas revistas institucionais. Nestas, ou eles são apenas para constar, nesse mundo de faz de conta em que, em boa parte, vive a cultura brasileira; ou cumprem mesmo o seu papel, selecionando textos, e neste caso, obviamente a instituição compreende duas classes: a dos membros ilustres que avaliam os trabalhos dos outros; e a dos  inferiores, cujos trabalhos são avaliados. E a verdade da instituição fica escondida. A revista institucional deve publicar textos de todos os seus membros, quer tenham qualidade,  quer não tenham. Se forem medíocres, não significa apenas que a revista é medíocre: significa também que a instituição é medíocre. E esta é a sua verdade. Que não pode ser mascarada por nenhum artifício.

Como o artifício infame, que está na moda, de encher a revista institucional com artigos de escritores de fora, completamente alheios à instituição. Que sentido tem isso?  Por que publicar não os textos de seus integrantes, mas textos alienígenas? Para simular uma qualidade, que a instituição não teria? Ou somente por essa exigência de exogenia – que é mais uma asneira com que o mais do que lamentável MEC entope a universidade brasileira?

Acabo de me espantar com o último número de uma revista que era, e poderia ser, importante: a Estudos Universitários, da UFPE. Muito bem composta graficamente, ótima produção, no entanto dos 12 textos nela publicados apenas um único é de professor da própria UFPE (há um segundo, de professor visitante). O que significa isso? Que entre seus 2 mil, 3 mil docentes, sei lá, a Universidade não tem intelectuais capazes de escrever textos dignos de figurar na sua revista?

O mesmo acontece com a que foi (e poderia ser) muito boa Revista Acadêmica da Faculdade de Direito do Recife. Publicar artigos de juristas de outras escolas não é exprimir a produção acadêmica da Faculdade, que é o que a revista deveria fazer. Apenas pela alegação (ridícula) de que isso significa que ela tem prestígio nacional, pois é procurada por docentes de outros Estados? Não é este seu papel.

O mesmo vejo agora com a revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (ao menos, este terá a desculpa de contar com diminuto quadro de sócios): dos  artigos, somente raros são de pernambucanos, e menos ainda de sócios do Instituto...

Bom exemplo, em sentido contrário, dá a Academia Pernambucana de Letras, cuja revista publica fundamentalmente trabalhos dos seus integrantes. Adicionalmente, pode incluir textos alheios – muitos, no entanto, apresentados nas suas reuniões. Assim é que deveria ser. Uma revista institucional ou deve ser expressão da instituição (intelectualmente poderosa ou medíocre que seja) ou não se justifica existir.

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