Entre um homem e a marcha

Publicado em: 12/07/2018 03:00 Atualizado em: 12/07/2018 09:01

Eu gosto de contar histórias. É claro que não tenho compromisso com a verdade, quando conto uma história. Deixo isso para quem narra fatos. Quem conta uma história tem o compromisso de torná-la o mais atraente possível para através dela transmitir um pensamento ou uma forma de ver o mundo, ou simplesmente para divertir.

Certa vez numa mesa em que compartilhava o almoço com alguns colegas de profissão, eu fiz uma declaração que para mim era óbvia, mas que causou desconforto entre as mulheres e regozijo entre os homens. Eu disse, já pedindo desculpas ao leitor pelo uso de linguagem vulgar: - Eu conheço várias mulheres-merda. E conheço mesmo; como conheço inúmeros homens-merda. Porque ser merda ou não ser merda, definitivamente não é uma questão de gênero.

Eu, por exemplo, há décadas voto em mulheres porque temos bons nomes de mulheres em quem votar. Mas entre uma candidata-merda e um candidato bom, eu votaria num candidato bom. Agora, entre um candidato bom e uma candidata boa, eu voto na boa candidata, porque precisamos de mais mulheres na política.

Por exemplo, não me sinto representada como mulher por nenhuma ministra do Supremo, o que não é tão grave porque também como cidadã não me sinto representada por nenhum dos guardiães da nossa Constituição. Para mim, são todos da categoria homens e mulheres-merda, salvo algumas fracas exceções.

Eu acho que precisamos preocupar-nos muito mais em tirar os homens e mulheres-merda das instâncias de poder e colocar bons nomes em seus lugares. Eu mesma não teria problemas de dar a vez para um homem, desde que ele fosse tão bom ou melhor do que eu. Se ele fosse pior, aí sim, seria puro machismo.

Eu sou feminista. E como sou! Mas como acontece com outros conceitos, também o feminismo é deturpado entre nós. Machismo é dar espaço e voz a tantos homens-merda e colocar tantos empecilhos à ocupação de espaços políticos e públicos por mulheres incríveis. Isso sim é machismo!

Como mulher e cidadã, acho que devemos lutar para ocupar espaços com vozes de valor e de qualidade, e não repetir a prática terrivelmente masculina de dar espaço a apadrinhados e bajuladores.

Eu gosto dos homens; sou mãe de um e morro de amor por ele. Talvez por isso saiba o quão diferentes nós somos. Certa vez um amigo me contou suas peripécias sexuais no automóvel com uma moça que acabara de conhecer na farra. Sinceramente, acho que esse encontro para ele deve mesmo ter sido um alívio. Já para ela… Dificilmente numa circunstância dessa ele foi mais do que um homem-merda para ela.

Eu mesma se tiver que escolher entre um homem e a marcha, fico com a marcha.

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