Uninassau forma primeiros médicos

Publicado em: 11/07/2018 03:00 Atualizado em: 11/07/2018 09:04

Em junho de 2012, publiquei nesta coluna artigo intitulado Medicina na Maurício de Nassau. Falei da importância da abertura do novo curso, que ia ao encontro das necessidades da população brasileira, carente de médicos, bem como de um imenso contingente de jovens que sonhavam em estudar medicina, mas sobravam nos vestibulares por conta de uma concorrência brutal. Falei também do seu papel no contexto da consolidação do polo médico do Recife, onde profissionais pós-graduados, estudiosos, com excelente potencial acadêmico, ansiavam por ingressar na carreira docente, mas faltavam espaços para tal. Finalizei o artigo dizendo que iria aceitar o desafio de dirigir e dar a personalidade dessa nova faculdade.

Seis anos depois, no dia dois de julho deste ano, teve lugar no Teatro Guararapes uma bela cerimônia de colação dos primeiros 91 médicos graduados pela Uninassau. Com muito orgulho e sensação de missão cumprida, tive o privilégio de ser o paraninfo da turma. No discurso, falei na confiança que tinha no desempenho profissional e ético daqueles novos médicos, formados numa faculdade que tem um projeto pedagógico moderno, uma excelente estrutura física, um corpo docente constituído quase exclusivamente de mestres e doutores de notório saber e uma grande rede de hospitais conveniados como campo de prática.

Ao final da minha fala, comentei que, durante anos, as entidades de classe (CFM, AMB , Conselhos Regionais e Sindicatos) prestaram um grande desserviço à população, dificultando a abertura de novos cursos de medicina. Por consequência, no início da década de 2010, veio a previsível crise de falta de médicos. Para contorná-la, o governo criou o Programa Mais Médicos. Todavia, nós não estávamos precisando do “Mais Médicos”. Estávamos precisando de mais médicos. O “Programa Mais Médicos”, aliás, está entre as piores das nossas malditas jabuticabas. O Brasil é a única nação civilizada do planeta onde um profissional de saúde formado em outro país recebe o direito de exercer medicina sem ter que ser aprovado em provas de revalidação do diploma. As entidades médicas, que, por mero corporativismo mesquinho, falta de patriotismo e compromisso com a sua gente, foram contra a abertura de novos cursos, agora, sem condições morais, tiveram que baixar a cabeça e registrar como médicos profissionais sem revalidação do diploma, muitos deles despreparados para exercer medicina no Brasil.

Parabéns aos novos médicos formados pela Uninassau, com a certeza de que estão preparados para cuidar da nossa gente, com ética, competência e compromisso social.

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