Cinco anos depois

Publicado em: 10/07/2018 03:00 Atualizado em: 10/07/2018 14:23

Em que deram as  manifestações de 5 anos atrás, que abalaram o País? O que delas resultou? O que foi feito daquela grande indignação?

O fato óbvio é que aquele ímpeto, aquele notável clamor arrefeceu. Não mais o povo voltou às ruas, ou ao menos não voltou com a mesma  intensidade e aquela quase unanimidade nacional. Terá voltado, depois, mas dividido, manifestações do pessoal do “pão com mortadela” aqui, dos “coxinhas” acolá. As disputas políticas terão liquefeito aquele imenso e profundo clamor? Terão os políticos conseguido diluir aquelas reivindicações? Terá a corrupção generalizada, escancarada – não só do PT, mas de muitos outros, de quase todos os partidos, a começar pelo PMDB que herdou o poder, – terá, ao cabo, evidenciado uma espécie de inutilidade da luta contra ela?
 
Terrível é verificar que os políticos não entenderam o sentido e a extensão da insatisfação que explodiu nas magníficas jornadas de junho de 2013.  Não perceberam que era insatisfação sobretudo contra eles, contra a péssima representação política que temos no Brasil. Não fizeram nada, não reformaram nada, não renovaram a política. A única diferença essencial foi esse lamentável Fundo Eleitoral, com o qual se atribuíram rios de dinheiro, sempre, é óbvio, às custas do povo. Nada para efetivamente melhorar a representação, nada para dar alguma seriedade, alguma austeridade, alguma dignidade aos partidos e à atividade política. Continua o abusivo número de parlamentares, a absurda quantidade de assessores para não fazer nada, somente para retribuir cabos eleitorais, continuam os mandatos parlamentares longuíssimos, de 4 anos, para os representantes se sentirem livres dos representados podendo fazer o que quiserem na “ilha de fantasia” de Brasília, continuam as mordomias e os privilégios, os indecentes “auxílios” definidos como “indenização”, continuam as castas afastadas do Brasil real, de que  usam e que desprezam.

Dado tamanho descompasso entre a imensidão dos protestos de 2013 e o nada que resultou dele, terá, então, a população inteira perdido a esperança de mudar a nojenta política que se instalou no Brasil? Este é o pior cenário, a apatia, o desinteresse pela política e pelos destinos nacionais, o cansaço, a decepção, a conformação em achar que nada adianta e os canalhas continuam de cima, mandando e se locupletando.

Parece, no entanto, que a indignação subsiste, e continua o clamor veemente por outra política. Expressivo sinal disso é o maciço apoio à Lava Jato, independentemente do lado que ela atinja, e o repúdio a todas as manobras que se intentam, mais ostensivas ou mais camufladas, para “estancar a sangria”. Mas é preciso também que cada cidadão faça sua parte, e não apenas espere pela ação de juízes desassombrados e admiráveis. Por que não cada eleitor exigir do candidato em que  vai votar, compromisso explícito contra as práticas de corrupção (primeiro, para não as fazer e, sempre, para as denunciar) e contra as mordomias (as alheias e as próprias)?

O Brasil não se libertará do dia para a noite dos grandes patifes que se apossaram do País. A luta pela recuperação moral da nação será demorada – árdua e gradual. A vitória não virá senão com muita paciência e muita persistência.

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