Pergunta ainda sem resposta...

Publicado em: 09/07/2018 03:00 Atualizado em: 09/07/2018 06:16

No decorrer deste mês de junho, dois fatos de extrema importância para a continuidade do processo de eliminação de preconceitos e discriminação, tiveram lugar em momentos distintos e por  iniciativas igualmente diferentes, mas de consequências semelhantes, a partir das suas atividades.

O primeiro deles, por iniciativa da Secretaria de Acesso a Direitos da OEA, sob a coordenação do nosso Mauricio Rands, foi a criação da RIAFRO - Rede Interamericana de Altas Autoridades sobre Politicas para a População Afrodescendente, sobre o que se podem obter maiores esclarecimentos, na leitura do artigo publicado neste jornal no ultimo dia 18/06.

O segundo, de tão grande relevância quanto o primeiro, apesar de aparentemente temporal, mas que conta com uma enorme capacidade de disseminar e fazer repercutir a sua mensagem, e influir no comportamento de cidadãos de todo o planeta, é o inicio da Copa do Mundo de 2018 na Rússia, no ultimo dia 14/06.

A mim pelo menos, parece clara a oportunidade, que a conjugação de uma ação política, com efeito duradouro sobre os países que a ela se venham a integrar, e que esperamos, terá como consequência a instituição de regras e tratados com vistas ao combate à discriminação e ao preconceito, aliada a um evento esportivo de tal envergadura, pode trazer enormes benefícios a uma causa tão relevante e cara, para encontrarmos os caminhos que levem a um futuro melhor para a humanidade.

Nos estádios onde se realizam os jogos, o que vemos são manifestações de convivência harmônica e igual entre povos de todas as nações, raças ou credos. A nós como a todos os torcedores não importa a origem, a preferencia ou tendência sexual de cada jogador, sua maneira particular de viver, ou sua forma de encarar a vida como cidadão comum, muito menos sua raça ou sua cor. O que verdadeiramente faz a diferença entre eles, é o seu domínio da bola, sua garra, sua lealdade, seu respeito aos adversários e seu orgulho em vestir a camisa da pátria que representa.

Jamais se escuta qualquer comentário que menospreze um "drible" dado por um asiático, um gol feito por um negro, uma defesa feita por um muçulmano ou uma cabeçada dada por um branco. Ninguém se refere a um jogador, acrescentando ao seu nome as suas características raciais, simplesmente por que isso não tem qualquer importância para sua performance e o seu comportamento.

Na formação dos times todos são considerados iguais, sendo sua escalação decidida pelos técnicos, em função da sua capacidade de adaptar-se ao esquemas táticos e buscar os resultados. Na celebração do gol, negros, brancos, pardos, asiáticos, nórdicos, latinos, todos se abraçam e confraternizam sem qualquer distinção.

Por que o nosso dia a dia não é assim?

Não devíamos considerar necessária, uma profunda reflexão a respeito?

Por que não quebramos paradigmas e conduzimos entidades internacionais, como a ONU, a OEA e a própria RIAFRO, a se juntarem a Fifa, aos Comitês Olímpicos e aos Clubes,  em um esforço único, para darmos um basta definitivo à discriminação e ao racismo?

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