Uma notícia dolorosa, amarga e triste

Publicado em: 09/07/2018 03:00 Atualizado em: 09/07/2018 06:15

A notícia não podia ser mais dolorosa, amarga e triste: a Livraria Cultura instalada no Paço Alfândega, Bairro do Recife, fechou as portas. A notícia chegou-me pela voz do meu filho Diego ao telefone. Decepcionado, ele me confessou que os leitores já não estão mais comprando os chamados livros de papel e alguns preferem o e-book. O  que é arrasador, sem dúvidas. Justo neste momento em que a Cepe lança a minha tetralogia Condenados â vida, numa edição belíssima, com jaqueta de plástico, capa de Halina Beltrão, prefácio extraordinário de José Castello e edição competente de Wellington de Mello e equipe, toda ela maravilhosa, com Mariza Pontes, Joselma Firmino, Ednaldo Muniz e Stephane Quesado.

Depois da conversa com Diego, fiquei em silêncio e quase não pude conversar com minha mulher Marilena para comentar esta informação que amargurou o meu dia.

Sim, eu sei perfeitamente que a Livraria Cultura vai continuar funcionando no RioMar, mas dói muito chegar ao Paço Alfândega e não encontrar a Casa tão amada com suas gôndolas exibindo a produção literária sobretudo dos jovens autores brasileiros. Eles sempre estavam ali, sempre ali, ao lado de clássicos e consagrados, com um brilho novo a indicar caminhos e descobertas. Vou sentir muita falta disso. Vou sentir, sim. Mas espero que o brilho continue.

Vamos com calma que tudo depende de nossa atenção. O espetáculo contnua com a nossa procura. Vamos lá.

Estou preocupado, também, com o meu amigo Pedro Hertz, proprietário e fundador da Livraria, que pontifica em todo o país, mas creio que ele deve estar seguro da decisão. Sempre foi um determinado Condutor da livraria, com absoluto poder de comando e notável capacidade gerencial. Na inauguração da loja fui vítima de uma notícia falsa. Mas ele compreendeu prontamente.

É preciso que todos compreendam: a livraria continua atendendo no RioMar, e a internet estará aberta também através da Fnac, sem esquecer a Estante Virtual. Apenas não teremos o espaço físico para compras, encontros e cafezinho. Preocupa, porém, o descuido dos leitores com o livro de papel, que conhecemos e celebramos.

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