A Copa, a França e nós

Publicado em: 03/07/2018 03:00 Atualizado em:

No momento em que escrevo a França está classificada nesta Copa para concorrer às finais. Falo como se entendesse dessas coisas, eu que não tenho a menor ideia do que seja tiro de meta, escanteio. Grande área até pouco tempo, eu achava que era o espaço todo do gramado, imaginem, mas tem sua lógica. As recentes vitórias da França na Copa vêm a calhar para a programação da próxima terça feira na reunião da Apl (às 15 horas): a palestra muito esperada de nosso sócio Lucilo Varejão (o neto) sobre a França e a literatura francesa no Brasil. O Recife inteiro sabe: escritor, especialista no assunto, título de doutor de universidade francesa, Lucilo faz parte da terceira geração de intelectuais pernambucanos para os quais e pátria de Voltaire sempre foi objeto de admiração, amor e de magistério. Eu mesma fui aluna dos dois Lucilo, no Instituto de Educação, na Ufpe. E professora do terceiro Lucilo, nosso colega, na Aliança Francesa. O primeiro Lucilo romancista brilhou no IEP. Adolescentes curiosas, alunas um tanto malandras, pedíamos que, em vez de aula, nos falasse de seus romances. Ele não caía, meus romances não são pra idade de vocês. Dava aula de francês mas não resistia a falar dos mexericos, namoros, procissões, da vida intensa da Olinda de sua juventude. Lucilo pai, poeta e crítico literário, nos entregava semanalmente no curso de Neolatinas, na Soledade, pertinho da Fratelli Vita (naquele tempo de Jomar, Bandeirinha e Celso Marconi nossos colegas) seu amor por Victor Hugo, pelos contistas medievais. Durante anos esse terceiro Varejão, especialista em René de Chateaubriand, em Albert Camus, levou ao amor da literatura e da cultura francesa, à nova leva de admiradores da França. em seus cursos no Departamento de Letras da UFPE. Sua palestra da próxima terça feira lembrará o que devemos a esse país, o quanto marcou nossa história brasileira, de Pernambuco em particular, na atuação do Conde da Boa Vista, na publicação de autores franceses (folhetinistas como Sue, divulgados em jornais do século 19) na tradução de poesia e teatro francês. Textos de George Sand, de Edmond Rostand, publicados na revista O Progresso, e em outras importantes revistas literárias, como a extraordinária Revista Contemporânea, a partir de 1894. E no século 20, a formação de intelectuais como Aníbal Fernandes, de poetas como Deolindo Tavares, em A noite clama pela alvorada, um “diálogo do Oriente com o Ocidente sobre a crise contemporânea”, Dasako Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional, que representa cerca de 13 milhões de budistas no Japão lembrou a René Huyghe, seu interlocutor, dois aspectos da cultura francesa essenciais à sua contribuição para os dilemas que enfrentamos, o valor dado à formação plena e respeito do indivíduo e o amor pela arte, inculcados nas crianças já nos jardins da infância. Após a palestra de Lucilo, haverá um espaço para discussão.

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