Oposição Guaidó chega a Venezuela sob ameaça de prisão

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 04/03/2019 15:12 Atualizado em:

Reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, Guaidó, de 35 anos, regressa de uma viagem pela Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador. Foto: Yuri Cortez / AFP
Reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, Guaidó, de 35 anos, regressa de uma viagem pela Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador. Foto: Yuri Cortez / AFP
O líder opositor venezuelano Juan Guaidó chegou nesta segunda-feira ao aeroporto internacional de Caracas, onde o esperavam embaixadores europeus e latino-americanos para acompanhá-lo em seu regresso ao país, sob ameaça de ser detido por ter ignorado uma ordem judicial que proibia sua saída do território.

"Sabemos dos riscos que corremos, isso nunca nos parou. Estamos aqui na Venezuela. Estamos aqui mais fortes", disse o opositor, enquanto seus simpatizantes gritavam "Guaidó, Guaidó!", "Sim, podemos!", segundo imagens de canais de televisão pela internet.

O embaixador da França, Romain Nadal, declarou à imprensa que o grupo de diplomatas o acompanha "como testemunhas da democracia e da liberdade para que o presidente Guaidó possa entrar".

"Esperamos que não haja nenhuma escalada [de tensão] e que os venezuelanos sejam capazes de chegar a uma solução pacífica e acordada", disse o embaixador da Espanha, Jesús Silva, ao lembrar que Guaidó, chefe da Assembleia Nacional, goza de imunidade parlamentar.

Vestidos de branco, com bandeiras da Venezuela, centenas de seus seguidores se concentram em uma praça do leste da capital, onde um organizador lhes pedia paciência através do microfone. 

As marchas começaram ao meio-dia em todo o país, onde nesta segunda-feira é feriado de carnaval. Guaidó saiu em segredo do país há dez dias, segundo ele ajudado por militares venezuelanos na fronteira com a Colômbia.

"Se o regime se atrever a me sequestrar, será sem dúvida um dos últimos erros que cometerá", disse o opositor no domingo à noite, em uma mensagem através das redes sociais.

Os Estados Unidos - que não descartam uma opção militar na Venezuela -, a União Europeia e vários governos latino-americanos expressaram preocupação por sua segurança.

"Qualquer ameaça ou ato contra seu retorno seguro encontrará uma forte e significativa resposta dos Estados Unidos e da comunidade internacional", advertiu no Twitter o conselheiro de segurança americano, John Bolton.

O vice-presidente americano, Mike Pence, tuitou que "qualquer ameaça, violência ou intimidação contra ele não vai ser tolerada e vai ter uma resposta rápida".

Pence acrescentou que o retorno seguro de Guaidó é um assunto de "alta importância para os Estados Unidos".

Reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, Guaidó, de 35 anos, regressa de uma viagem pela Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador, que começou em 22 de fevereiro na cidade colombiana de Cúcuta, no âmbito da tentativa fracassada de entrada de ajuda humanitária.

Sua volta à Venezuela põe o governo em um dilema: se o prender, provocará uma forte reação internacional e interna, e se o deixar livre, colocará em evidência certa fraqueza.


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