crise humanitária Cruz Vermelha reforça operações na Venezuela

Por: AE

Publicado em: 06/02/2019 16:41 Atualizado em:

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) duplicou recentemente o orçamento para a Venezuela dadas as "enormes necessidades" da população que não estão cobertas, anunciou seu presidente em Genebra nesta quarta-feira (6).

O orçamento anual do CICV na Venezuela, onde a organização está presente há várias décadas, passou este ano para 18 milhões de francos suíços (18 milhões de dólares), detalhou Peter Maurer em uma coletiva de imprensa.

Este anúncio chega quando o opositor Juan Guaidó, reconhecido por 40 países como presidente interino da Venezuela desde que se autoproclamou, tenta organizar a chegada de ajuda humanitária americana e canadense.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que conta com o apoio de Rússia, China, Turquia, Cuba e Irã, rejeitou em várias ocasiões a entrada de ajuda humanitária no país, uma maneira, segundo ele, de facilitar uma invasão militar liderada pelos Estados Unidos para derrubá-lo. 

Em Genebra, Maurer disse que a ajuda humanitária deve ser "neutra e imparcial", afirmando que o CICV não participa de eventuais atividades humanitárias que possam ser organizadas pelo governo ou pela oposição. 

"Por enquanto, estamos concentrando nossos esforços para expandir o espaço humanitário na Venezuela, porque achamos que há enormes necessidades que não estão cobertas", insistiu.

Até agora, a ação do CICV era, sobretudo, a promoção do Direito Internacional Humanitário com a polícia e as Forças Armadas e a cooperação com a Cruz Vermelha venezuelana. 

"Desde que a crise se agravou, concentramos nossa atenção no apoio aos serviços de saúde, bem como à população deslocada", explicou Maurer. O CICV também está presente nos vizinhos da Venezuela, Colômbia e Brasil, para ajudar os venezuelanos que fogem do país. 

A população da Venezuela, país petroleiro, enfrenta uma séria escassez de produtos básicos e remédios. O país atravessa uma grave crise econômica com hiperinflação. Desde 2015, cerca de 2,3 milhões de pessoas deixaram o país, segundo a ONU. 

Este êxodo é considerado pela ONU como o deslocamento mais maciço de pessoas na história recente da América Latina.


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