diplomacia EUA promete a seus aliados continuar luta contra EI apesar de deixar a Síria

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 06/02/2019 16:29 Atualizado em:

Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP
Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP
O secretário americano de Estado, Mike Pompeo, disse nesta quarta-feira (6) que os Estados Unidos continuam comprometidos com a destruição permanente do grupo Estado Islâmico (EI) apesar de terem ordenado a saída de suas forças da Síria, enquanto pediu aos preocupados aliados que façam mais.

Pompeo ofereceu garantias na reunião de funcionários de alto escalão de 79 países em Washington para discutir sobre como avançar na luta contra o EI, depois da repentina decisão do presidente Donald Trump de retirar seus 2.000 soldados da Síria.

"Pedimos a cada um dos países que se unam a nós e, por meio dos nossos esforços e com a ajuda de Deus, chegará o dia em que a derrota permanente do EI será uma realidade", disse.

Pompeo, um dos defensores mais firmes de Trump, descreveu a retirada de tropas como "essencialmente uma mudança tática", à medida que os extremistas se espalham pelo mundo.

"Não é uma mudança na missão", disse Pompeo, acrescentando: "Nossa luta nem sempre será necessariamente dirigida pelos militares". 

"Estamos entrando em uma era de jihad descentralizada, e também devemos ser ágeis em nosso enfoque", disse.

Em seu discurso anual sobre o Estado da União ao Congresso, na terça-feira à noite, Trump renovou a sua promessa de evitar "guerras intermináveis" e disse que quase todo o vasto território ocupado pelos "monstros sedentos de sangue" do Estado Islâmico havia sido recuperado. 

Mas o próprio chefe de Inteligência de Trump advertiu que o EI, cuja antigo reduto na Síria se reduz a uma estreita faixa do território, tentará reaparecer após uma saída das tropas.

Com a esperança de evitar os piores resultados, Pompeo pediu aos sócios americanos que intensifiquem o intercâmbio da Inteligência e que compensem um déficit de 350 milhões de dólares em um fundo destinado à estabilidade do Iraque.

"Agora é o momento para que todos nós, não apenas os Estados Unidos, ponhamos o nosso dinheiro onde está nossa boca", disse Pompeo.

Também renovou os pedidos aos outros países para que recebam combatentes estrangeiros, um tema delicado para aliados como França e Grã-Bretanha.

"Os membros desta coalizão devem estar dispostos a receber combatentes terroristas estrangeiros, processá-los e puni-los", indicou Pompeo.

Nesta quarta-feira, observadores de sanções da ONU afirmaram que o EI não foi derrotado na Síria e continua sendo a ameaça mais significativa entre os grupos terroristas.

Existem entre 14.000 e 18.000 militantes do EI na Síria e no Iraque, incluindo até 3.000 combatentes estrangeiros, segundo um relatório da equipe de monitoramento de sanções apresentado ao Conselho de Segurança.

O grupo "ainda não foi derrotado na Síria, mas segue sob intensa pressão militar no baluarte de seu território residual no leste do país", segundo o relatório.

Observadores das sanções da ONU disseram que com a perda de seu "califado" no Iraque e na Síria, o EI havia se transformado em uma rede secreta, sob a liderança de Abu Bakr al-Baghdadi. 

A liderança do EI se reduziu a um grupo disperso e "está ordenando a alguns combatentes que retornem ao Iraque para se juntarem à rede" com o objetivo de "sobreviver, se consolidar e ressurgir na área central", disseram.

Segundo o relatório, 1.000 combatentes estrangeiros estão detidos no Iraque e pouco menos 1.000 no nordeste da Síria, embora os governos estejam lutando para confirmar as nacionalidades dos detidos.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.