Acordo Rússia suspende sua participação no tratado INF sobre armas nucleares "Nossos parceiros americanos anunciaram a suspensão de sua participação no acordo, então nós também a suspenderemos", afirmou o presidente Putin

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 02/02/2019 14:30 Atualizado em: 02/02/2019 15:00

Imagem: Kremlin/ Fotos Públicas
Imagem: Kremlin/ Fotos Públicas

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou neste sábado (2) que seu país vai suspender sua participação no tratado INF sobre as armas nucleares de alcance intermediário, em resposta à retirada dos Estados Unidos do acordo.

"Nossos parceiros americanos anunciaram a suspensão de sua participação no acordo, então nós também a suspenderemos", afirmou Putin durante um encontro com seus ministros das Relações Exteriores e da Defesa, Serguei Lavrov et Serguei Shoigu.

"A Rússia não mais tomará a iniciativa de negociar o desarmamento com os Estados Unidos", disse o chefe de Estado, citado por agências de notícias russas.

"Vamos esperar até que nossos parceiros (americanos) tenham amadurecido o suficiente para ter um diálogo de igual para igual e significativo sobre este assunto importante", acrescentou.

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, anunciou, por sua vez, no Twitter, que fundos seriam alocados para o "financiamento da pesquisa e desenvolvimento de novos tipos de armamentos".

"A retirada unilateral dos Estados Unidos do tratado INF agrava a situação em termos de segurança internacional e de estabilidade estratégica", considerou, acrescentando que tal atitude "não ficará sem resposta".

Os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira (1) sua retirada do tratado INF, concluído pela URSS e por Washington em 1987, durante a Guerra Fria, que abole o uso de mísseis terrestres com alcance de 500 a 5.500 km e encerrou o perigoso desenvolvimento de ogivas nucleares entre ambos. 

Para Washington, Moscou não soube abordar as preocupações geradas por seu novo sistema de mísseis de médio alcance que, segundo países ocidentais, vai contra o tratado.

"Amanhã (sábado), os Estados Unidos vão suspender suas obrigações sob o tratado INF e iniciarão o processo de retirada", que "será concluído em seis meses, a menos que a Rússia cumpra suas obrigações destruindo todos os seus mísseis, lançadores e equipamentos que violam o texto", declarou o presidente Donald Trump em um comunicado.

"Os Estados Unidos aderiram completamente ao tratado INF durante mais de 30 anos, mas não seguiremos forçados a cumprir seus termos enquanto a Rússia deturpa as suas ações", ressaltou.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, assinalou que seu país, que anunciou formalmente suas preocupações com relação ao acordo há dois meses, tratou o tema das supostas violações ao tratado mais de 30 vezes com a Rússia.

Ele ressaltou, porém, que Washington está "pronto" para continuar discutindo com a Rússia sobre "a questão do desarmamento". 

No início de dezembro, de Bruxelas e com o apoio da Otan, Mike Pompeo deu à Rússia o prazo de 60 dias, até 2 de fevereiro, para desmantelar seus novos mísseis de longo alcance. Caso contrário, ameaçou iniciar o procedimento de retirada de seis meses.

Já Putin advertiu previamente que a retirada de Washington do INF levará a uma nova corrida armamentista.

O chefe de Estado russo também ameaçou autorizar o desenvolvimento de mísseis de alcance intermediário e evocou a adaptação de armamento até então posicionado em mar ou ar - e não proibidos pelo tratado - para ser utilizado em terra.

A Rússia nega as acusações "sem fundamento", censurando Washington de violar o tratado INF.

Os Estados Unidos decidiram se retirar do acordo "em resposta aos graves riscos que representam para a segurança Euro-Atlântica os testes ocultos, a produção e mobilização do sistema 9M729 por parte da Rússia", segundo defendeu a Otan.

Alguns representantes europeus expressaram, não obstante, a sua preocupação pelo desaparecimento do tratado e confiaram que Washington e Moscou possam salvar o acordo antes que os Estados Unidos o abandone, em seis meses.

Por sua vez, a China expressou neste sábado sua "oposição" à retirada unilateral de Washington do tratado e instou os dois países a um "diálogo construtivo" para evitar "consequências negativas", segundo indicou Geng Shuang, um porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.



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