venezuela Recusam enterrar migrante venezuelano à espera de sua 'ressurreição' na Colômbia "Deus nos disse que irá fazer algo maior: levantar o menino e que será glorificado aqui em Puerta del Sol", explicou o pai da vítima. Velório já dura nove dias

Por: AE

Publicado em: 19/12/2018 18:22 Atualizado em:

Foto: Reprodução / Twitter
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Um migrante venezuelano que foi assassinado na cidade colombiana de Cali (sudoeste) completa nove dias de velório por vontade de sua família e de uma comunidade religiosa, que esperam a sua "ressurreição", após receberem uma mensagem divina.

César Alexis Blanco, de 20 anos e que há dois havia migrado pela crise econômica e política em seu país, foi atingido por vários disparos em 10 de dezembro em Puerta del Sol, um bairro popular de Cali, em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas. 

Em princípio, os seus familiares pretendiam enterrá-lo logo que o corpo lhes fosse entregue, mas a congregação de fé à qual pertencem assegurou ter recebido uma mensagem que fez com que eles mudassem de planos.

"Deus encomendou que trouxéssemos o corpo e fosse velado aqui (na casa), então Deus nos disse que irá fazer algo maior: levantar o menino e que será glorificado aqui em Puerta del Sol", explicou Julio Blanco, pai da vítima, à AFP.

Blanco trabalha como pastor em La Cueva de Adulam, uma comunidade evangélica de 14 pessoas à qual seu filho também pertencia.

O prolongado velório, que completa nesta quarta-feira nove dias, obrigou a intervenção das autoridades diante das reclamações dos vizinhos. Na tradição cristã, um corpo é enterrado em média após um dia e meio de velório. 

"O corpo não fede porque o repararam bem, mas as bactérias estão saindo do organismo desse rapaz", se queixou Luz Morán, morador do bairro Puerta del Sol.

Segundo o secretário de Saúde de Cali, Nelson Sinisterra, a legislação colombiana "não estabelece um prazo máximo" para enterrar ou cremar um cadáver, embora neste caso os restos mortais tenham sido preparados por uma funerária para serem conservados por 48 horas. 

Diante da negativa da família em sepultá-lo, o funcionário disse à AFP que realizarão uma nova visita ao local para tentar convencer os parentes a "tomar a decisão de maneira acordada para que possamos enterrar o cadáver".


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