acordo de paris Presidente da Convenção do Clima da ONU faz apelo por Acordo de Paris O objetivo da conferência deste ano, realizada em Katowice, na Polônia, é concluir o livro de regras do tratado, um manual de operações do texto construído em 2015 na capital francesa

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 12/12/2018 12:52 Atualizado em:

Patricia Espinosa: "Muitas divisões políticas continuam. Muitas questões têm de ser superadas. Mas eu acredito que está dentro das nossas possibilidades terminar o trabalho". Foto: Patrik Stollarz/AFP
Patricia Espinosa: "Muitas divisões políticas continuam. Muitas questões têm de ser superadas. Mas eu acredito que está dentro das nossas possibilidades terminar o trabalho". Foto: Patrik Stollarz/AFP
No segundo dia da reunião do segmento de alto nível da COP-24, ministros de mais de 100 países — incluindo o brasileiro Edson Duarte —, a presidente da Convenção do Clima da ONU, Patricia Espinosa, apelou para que os governantes preencham as lacunas que faltam para implementar o Acordo de Paris. O objetivo da conferência deste ano, realizada em Katowice, na Polônia, é finalizar o livro de regras do tratado, um manual de operações do texto construído em 2015 na capital francesa. “Muitas divisões políticas continuam. Muitas questões têm de ser superadas. Mas eu acredito que está dentro das nossas possibilidades terminar o trabalho. Vamos completar o Programa de Trabalho do Acordo Paris e, fazendo isso, imediatamente desencadearemos o real poder do acordo”, discursou.

Nessa edição da COP, antigos ressentimentos e divisões entre grupos de países, que haviam amenizado desde Paris, voltaram à tona. As nações ricas tornam a insistir que não podem pagar a maior parte da conta do aquecimento global, enquanto que as em desenvolvimento cobram financiamento para ações de mitigação. Estados Unidos, Rússia, Kuait e Arábia Saudita irritaram as demais delegações no sábado, quando vetaram, do livro de regras, a menção ao limite da temperatura a 1,5ºC, comparado a níveis pré-industriais.

Discursando aos ministros, Hoesung Lee, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas reiterou as descobertas-chave do relatório divulgado recentemente, que aponta as consequências dramáticas de não se atingir essa meta até 2050. “Cada pequeno aquecimento importa. Cada ano importa. Cada escolha importa. Com esse relatório, a mensagem científica é clara. Está nas mãos dos senhores, os governantes, agir”, disse.

O secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas, também falou aos ministros. Ele alertou que os níveis atuais de emissão de gases de efeito estufa são insustentáveis, e que estão levando a impactos substanciais ao redor do globo: do derretimento do Ártico a megaincêndios, como o que atingiu a Califórnia.

Descongelamento
Um estudo publicado ontem na revista Nature Communications reforça o alerta de Lee. O trabalho, da Universidade de Oulu, na Finlândia, mostra que, em 2050, aproximadamente três quartos da população atual do Hemisfério Norte que vive na área de permafrost do Ártico pode ser afetada por danos na infraestrutura, incluindo queda de edifícios, associadas ao descongelamento desse tipo de solo típico da região. A pesquisa sugere que, mesmo que o Acordo de Paris seja colocado em prática e as metas atingidas, os riscos são altos.

O descongelamento do permafrost devido ao aquecimento global pode danificar infraestruturas críticas, o que colocaria em risco a utilização de recursos naturais e ameaçaria o desenvolvimento sustentável das comunidades do Ártico, sugerem os autores. De acordo com a pesquisa, aproximadamente 4 milhões de pessoas e 70% da infraestrutura de transporte e indústria estão localizados em áreas de alto risco até meados do século.


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