Argentina e China fecham acordos para fortalecer laços após G20 O presidente chinês continuará sua viagem no Panamá, que tem negociado um acordo de livre-comércio com a China. Fonte: Associated Press

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 02/12/2018 17:16 Atualizado em:

Xi e Macri cumprimentam-se durante entrevista coletiva após a reunião de trabalho na Argentina AFP / JUAN MABROMATA
Xi e Macri cumprimentam-se durante entrevista coletiva após a reunião de trabalho na Argentina AFP / JUAN MABROMATA

A China e a Argentina fecharam novos acordos comerciais que reforçaram seus laços políticos e econômicos. O presidente argentino, Mauricio Macri, e o chinês, Xi Jinping, anunciaram mais de 30 acordos de investimento e agrícolas neste domingo.

A China está entre os principais mercados exportadoras da Argentina, sobretudo para itens agrícolas, que são o motor de sua economia. Macri disse que "quanto mais a China se desenvolva quanto melhor vá a China, melhor irá a Argentina, a região e o mundo".

Xi já estava em Buenos Aires para a cúpula do G20. Além disso, na noite de sábado teve uma reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, quando fecharam uma trégua de 90 dias na guerra comercial.

O presidente chinês continuará sua viagem no Panamá, que tem negociado um acordo de livre-comércio com a China. Fonte: Associated Press

A China reforçou sua ajuda financeira à Argentina no equivalente a 9 bilhões de dólares, disponíveis para o Banco Central em caso de corridas cambiais ou necessidades de investimento, entre outros acordos comerciais assinados neste domingo pelos dois governos.

A ajuda faz parte de um conjunto de 30 entendimentos alcançados hoje em Buenos Aires dentro da associação estratégica bilateral, durante uma cerimônia liderada pelos presidentes Xi Jinping e Mauricio Macri na residência oficial de Olivos, ao norte de Buenos Aires.

O novo acordo contribuirá para promover uma maior estabilidade financeira e assegurar a relação entre ambos os bancos centrais. Também irá facilitar o comércio bilateral, segundo um comunicado do Banco Central da República Argentina (BCRA).

O salva-vidas consiste em um swap cambial. O primeiro intercâmbio deste tipo foi fixado no equivalente a 11 bilhões de dólares em 2014, solicitado pelo governo da presidente Cristina Kirchner e renovado por Macri em 2017, para enfrentar graves déficits no setor financeiro externo.

Xi foi o único presidente estrangeiro que fez uma visita oficial à Argentina durante a reunião de cúpula do G20, que terminou neste sábado. Após um almoço em Olivos, ele retornará a seu país.

A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, atrás do Brasil. O intercâmbio alcançou em 2017 os 17 bilhões de dólares, mas a balança gera um déficit para a Argentina de 7,736 bilhões de dólares.

Antes do encontro deste domingo, os dois países conseguiram dirimir uma situação delicada ocorrida durante a reunião de cúpula, quando uma porta-voz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que em seu encontro bilateral com Macri que eles reafirmaram "o compromisso de enfrentar a atividade econômica predatória da China".

Em entrevista coletiva, Macri desmentiu ter endossado estes termos e disse que "a China não é uma ameaça, é uma oportunidade para a Argentina".

- Alimentos, estradas e ferrovias -

Os acordos contemplam que a China compre da Argentina produtos como carne bovina, cavalos puro-sangue, cerejas, mel e outros de origem agrícola. A Argentina, por sua vez, abrirá à China o setor de investimentos em infraestrutura rodoviária e a reativação de uma linha férrea.

"Quanto melhor estiver a China, melhor estará a Argentina, a região e o mundo", afirmou Macri, que elogiou o programa de reformas e abertura de Pequim, iniciado há 40 anos.

Sobre este processo reformista, Xi afirmou que conseguiu "tirar 750 milhões de chineses da pobreza, em um contexto de forte crescimento e desenvolvimento econômico".

"Estreitamos com a Argentina a cooperação em matéria econômica, agrícola, de infraestrutura e financeira, entre outras áreas", assinalou Xi.

Macri destacou, ainda, que a assinatura de uma declaração conjunta mostra "os consensos importantes em matéria de desenvolvimento a longo prazo alcançados. Foi uma reunião muito produtiva."



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