diplomacia Presidente ucraniano pede à OTAN envio de navios ao Mar de Azov Um incidente entre a Guarda Costeira russa e navios ucranianos aconteceu no domingo passado no Mar Negro, quando as embarcações tentavam entrar no estreito de Kerch para chegar ao Mar de Azov

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 29/11/2018 08:44 Atualizado em:

Foto: Genya Savilov / AFP
Foto: Genya Savilov / AFP
O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, pediu nesta quinta-feira (29/11) aos países da Otan, especialmente a Alemanha, o envio de navios de guerra ao Mar de Azov para apoiar seu país diante da ameaça da Rússia.

"A Alemanha é um dos nossos aliados mais próximos e esperamos que países dentro da Otan estejam dispostos a enviar navios ao Mar de Azov para ajudar a Ucrânia e garantir a segurança" na região, declarou Poroshenko ao jornal alemão Bild.

Segundo Petro Poroshenko, o presidente russo, Vladimir Putin, não quer nada menos que ocupar o Mar de Azov. "Não podemos aceitar esta política agressiva da Rússia. Primeiro foi a Crimeia, depois o leste da Ucrânia e agora [Putin] quer o Mar de Azov".

"A Alemanha também deve se perguntar o que fará Putin da próxima vez se não o detivermos", assinalou o presidente ucraniano, em um momento em que o premier da Ucrânia, Volodymyr Groysman, é esperado em Berlim. O presidente acusou ainda o governo russo de tratar a ucrânia como uma colônia ."Putin quer a volta do antigo império russo. Crimeia, Donbass, quer todo o país", denunciou Poroshenko. 

Um incidente entre a Guarda Costeira russa e navios ucranianos aconteceu no domingo passado no Mar Negro, quando as embarcações tentavam entrar no estreito de Kerch para chegar ao Mar de Azov, uma rota marítima crucial para as exportações de cereais ou aço produzidos no leste da Ucrânia.
 
Entenda a tensão 
A guarda-costeira russa, vinculada aos serviços de segurança (FSB), abordou dois navios patrulheiros e um rebocador ucranianos, acusando-os de ter entrado ilegalmente em águas territoriais russas, capturaram vinte fuzileiros navais a bordo.

A Rússia classificou o incidente de "provocação", enquanto que a Ucrânia denunciou um "ato de agressão" e pediu a libertação de seus fuzileiros e retorno de seus navios. Em resposta, a Ucrânia instaurou a lei marcial nessas regiões fronteiriças e do litoral durante 30 dias.

Diante das preocupações com a lei marcial, as autoridades ucranianas afirmaram que o texto, que permite mobilizar cidadãos, regulamentar meios de comunicação e limitar manifestações públicas, tem caráter preventivo.

O presidente russo Vladimir Putin defendeu as forças de seu país e afirmou que a Guarda Costeira apenas cumpriu com seu dever.  Desde a anexação da Crimeia, em 2014, a Rússia reivindica o controle do estreito de Kerch, a única rota marítima entre o Mar Negro e o Mar de Azov.

A União Europeia (UE) manifestou preocupação com o cenário. "Estamos consternados com o uso excessivo da força pela Rússia que, em um contexto de crescente militarização na região, é inaceitável", afirmou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em um comunicado que representa os 28 países do bloco.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) deve se reunir depois de 10 de dezembro para aprovar um programa de ajuda à Ucrânia, anunciou a diretora gerente do organismo, Christine Lagarde.


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