América Latina Espanha defende unidade da América Latina em tempos convulsionados O governo ibérico pede aos países ibero-americanos que defendam "o valor do multilateralismo"

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 16/11/2018 15:11 Atualizado em:

Foto: Reprodução / Pixabay
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A Espanha defende nesta sexta-feira (16), na Cúpula Ibero-Americana da Guatemala, a unidade e o diálogo em uma América Latina em que o multilateralismo é criticado, a exemplo dos Estados Unidos.

O chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, chegou na quarta-feira à cidade turística de Antigua, a sudoeste da capital guatemalteca, com uma mensagem aos outros 21 países participantes do conclave de "avançar juntos para um futuro mais próspero, inclusivo e sustentável".

O governo ibérico pede aos países ibero-americanos que defendam "o valor do multilateralismo", da integração e de espaços de diálogo como este encontro, que desde quinta-feira realiza a sua XXVI edição. 

"Esta é uma oportunidade para impulsionar o diálogo e a cooperação do multilateralismo no âmbito do progresso da Agenda 2030" de desenvolvimento sustentável da ONU, disse Josep Borrell, ministro espanhol das Relações Exteriores, ao intervir na véspera na reunião de chanceleres.

Sem dar nomes, embora tenha parecido uma crítica velada ao presidente americano, Donald Trump, o funcionário alertou sobre "ataques" às instâncias multilaterais e comparou a situação global atual com os preâmbulos da Segunda Guerra Mundial.

"Apesar de não haver grandes intenções expansionistas, existem ares de vingança, tensões protecionistas e ataques às Nações Unidas", afirmou.

Ao mesmo tempo, defendeu valorizar e apoiar espaços para o "diálogo", como o encontro neste país, que reúne 16 líderes, entre eles os de Brasil e México, e quatro vice-presidentes. Cuba e Chile têm representação ministerial. 

Trump tem sido um crítico constante do multilateralismo, do qual os Estados Unidos historicamente tem sido um precursor.

Especialistas alertam que no mesmo caminho do presidente americano pode estar o presidente eleito de extrema direita Jair Bolsonaro, cujo apoio absoluto ao magnata tem sido até agora a única demonstração do que será a sua política externa.

Se for assim, a liderança tradicional da principal potência latino-americana será uma incógnita. Assim como a do México, cujo presidente eleito de esquerda Andrés Manuel López Obrador (AMLO) tomará posse em dezembro. 

Embora até agora esteja sendo cauteloso, a chegada de AMLO é um salva-vidas para a esquerda após as vitórias da direita em países anteriormente governados por esta corrente, como Argentina, Brasil e Chile. E também poderia ser para a cada vez mais isolada Venezuela de Nicolás Maduro, ausente da cúpula.

"Expresso a minha vontade para que espaço ibero-americano continue sendo um instrumento de integração entre os povos", apontou o embaixador Nelson Antonio Tabajara de Oliveira, representante do governo brasileiro em fim de mandato na reunião de chanceleres.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que enfrenta com violência uma revolta política em seu país, cancelou nesta sexta-feira sua participação sem entrar em detalhes. 

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que representaria Nicolás Maduro, também desistiu de participar no encontro.

Depois disso, o único presidente do bloco socialista latino-americano presente na Guatemala é o boliviano Evo Morales.

Migração e mudança climática
 
Prevê-se que nesta sexta-feira os presidentes e chefes de governo aprovem a Declaração da Guatemala e 20 comunicados especiais nos quais renovam os compromissos sobre desenvolvimento e a Agenda 2030 assumidos por todos os países em 2015, indicou a Secretaria Geral Ibero-Americana(Segib) em um comunicado.

Os documentos aprovados previamente pelos ministros das Relações Exteriores abordam temas como a migração e o refúgio, em um momento em que a região vive uma onda migratória de centro-americanos que fogem da pobreza para os Estados Unidos e de venezuelanos que escapam da crise em seu país. 

Além disso, o direito à água potável e ao saneamento; a conservação e o uso sustentável dos oceanos; o comércio sustentável do café; as pessoas com deficiência e o fortalecimento das línguas indígenas.

"Sinceramente acredito que isso (Agenda 2030) é a única narrativa que temos hoje que nos diz respeito a uma cooperação global, que é uma narrativa em favor de um futuro comum, juntos, e não de confronto e fragmentação", afirmou a secretária da Segib, Rebeca Grynspan. 

A reunião será realizada no antigo convento católico Santo Domingo, perto das encostas do ativo Vulcão de Fogo, que em 3 de junho registrou uma forte erupção que arrasou a comunidade Los Lotes, deixando 192 mortos e 236 desaparecidos.


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