Provas Erdogan diz ter compartilhado gravação de assassinato de Khashoggi com outros países Arábia Saudita, Estados Unidos e França tiveram acesso ao material, segundo o presidente turco

Publicado em: 10/11/2018 13:42 Atualizado em:

Presidente turco afirmou ter compartilhado materiais sobre assassinato de jornalista com outros países. Foto: Adem Altan / AFP
Presidente turco afirmou ter compartilhado materiais sobre assassinato de jornalista com outros países. Foto: Adem Altan / AFP
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, confirmou, neste sábado (10), a existência de gravações sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2 de outubro no consulado saudita de Istambul e disse ter compartilhado o material com Arábia Saudita, Estados Unidos e França.

"Demos as gravações (...) à Arábia Saudita, a Washington, aos alemães, aos franceses, aos ingleses", declarou Erdogan em coletiva de imprensa.

A presidência turca afirmou que autoridades do país puderam ouvir as gravações, mas não receberam nenhum documento escrito.

O jornal turco "Sabah" também revelou neste sábado que os assassinos de Khashoggi se desfizeram de seu corpo, despejando-o no sistema de encanamento depois de ter sido dissolvido em ácido.

O exame de amostras extraídas do encanamento da casa do cônsul saudita em Istambul permitiu detectar restos de ácido, segundo o jornal pró-governamental, que não cita a fonte da informação.

Os investigadores consideram que o corpo do jornalista crítico do regime de Riad foi dissolvido em ácido e que, uma vez atingida a consistência suficientemente líquida, os autores do crime se desfizeram dele, despejando-o no ralo - informa o "Sabah". 

Khashoggi foi assassinado em 2 de outubro, no consulado saudita em Istambul, onde tinha ido resolver um trâmite administrativo.

- 'Apagar' as provas -
Depois de negar inicialmente o assassinato, as autoridades sauditas primeiro falaram de uma "briga" que terminou mal, antes de afirmar que o jornalista de 59 anos morreu durante uma operação não autorizada e sobre a qual o príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman não havia sido informado. 

Vários meios de comunicação turcos afirmaram que Ancara tinha uma gravação do assassinato e que ela havia sido compartilhada com a diretora da CIA, Gina Haspel, durante uma viagem à Turquia no final de outubro. 

Mas a existência de tais gravações não foi oficialmente confirmada.

A mulher de Khashoggi, Hatice Cengiz, declarou-se no Twitter "incapaz de expressar sua tristeza após saber que (o corpo de Khashoggi) foi dissolvido".

Uma autoridade turca de alto escalão afirmou na segunda-feira que a Arábia Saudita enviou "limpadores" à Turquia para "apagar" as provas do assassinato do jornalista.

Dois homens, um químico e um especialista em toxicologia, chegaram a Istambul no dia 11 de outubro, nove dias depois do assassinato.

"Acreditamos que esses dois indivíduos vieram para a Turquia com o único objetivo de apagar as provas do assassinato de Jamal Khashoggi antes que a polícia turca fosse autorizada a vistoriar as instalações", disse a autoridade turca, que pediu anonimato.

A polícia turca não foi autorizada a fazer operações de busca no consulado até 15 de outubro e, na residência do cônsul, até o dia 17.
 


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