Relação EUA fará negociações comerciais com UE, Japão e Reino Unido Governo americano tenta corrigir o que Trump chama de desequilibro da balança comercial do seu país

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 16/10/2018 21:23 Atualizado em:

O representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, ao lado de Donald Trump. Foto: Arquivo/AFP (Foto: Arquivo/AFP)
O representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, ao lado de Donald Trump. Foto: Arquivo/AFP
Autoridades americanas anunciaram nesta terça-feira (16) negociações para acordos comerciais em separado com Reino Unido, União Europeia e Japão, numa tentativa do governo de Donald Trump de remodelar o comércio global.

O representante comercial americano (USTR), Robert Lighthizer, disse que o governo anunciou ao Congresso sua intenção de negociar os três acordos separados. 

"Estamos comprometidos a concluir essas negociações com resultados oportunos e verdadeiros para os trabalhadores, fazendeiros, produtores e negócios americanos", afirmou Ligthizer. 

A iniciativa vem na esteira da renegociação do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte, com Canadá e México, e sua tentativa de corrigir o que Trump chama de desequilíbrio da balança comercial do seu país. 

Nas notificações ao Congresso sobre Japão e UE, Ligthizer citou "desequilíbrios comerciais crônicos" e afirmou que exportadores americanos há muito são "desafiados" pelas barreiras alfandegárias e não alfandegárias no Japão e na Europa. 

A meta, disse, é ter uma relação comercial "mais justa e balanceada" com esses parceiros. 

Lighthizer disse que os EUA vão buscar um acordo comercial com o Reino Unido assim que o país deixar a UE, em 2019. A carta ao Congresso disse que Washington vai tentar alcançar um "comércio livre, justo e recíproco" com o Reino Unido.

Jogo duro

Trump tem adotado um jogo duro com os parceiros comerciais dos americanos, usando tarifas e ameaças em uma tentativa de impulsionar as exportações americanas e solucionar o antigo déficit da balança comercial, apesar de diversos alertas de políticos dos EUA  e do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Em maio, ele pediu para o Departamento de Comércio investigar a possibilidade de impor tarifas de 25% sobre carros e autopeças importados, uma perspectiva que deixou a indústria alarmada e teve grandes repercussões para Japão e Europa. 

"Precisamos trabalhar juntos de desescalar e resolver as disputas comerciais atuais", afirmou Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI em uma reunião do Fundo e do Banco Mundial em Bali na semana passada. 

Trump aplicou ou ameaçou criar tarifas sobre produtos de diversos países, especialmente a China, mas também aliados tradicionais, como a UE. 

Mais tarifas e suas contra medidas "poderiam levar a mais aperto às condições financeiras, com implicações negativas para a economia global e a estabilidade financeira", alertou o Fundo. 

As novas negociações, se forem bem sucedidas, podem equilibrar a balançar comercial com a Europa e o Japão,, mas não altera a difícil situação com a China - responsável por mais de metade do déficit americano.


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