conflito 'Zona desmilitarizada' da Síria fica livre de armas Esta retirada é produto do acordo assinado no mês passado entre a Rússia, país aliado do regime de Damasco, e Turquia, que apoia alguns grupos rebeldes

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 10/10/2018 14:16 Atualizado em:

Foto: Reprodução/Twitter
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Os grupos insurgentes na província síria de Idlib concluíram nesta quarta-feira a retirada de suas armas pesadas da futura "zona desmilitarizada", mas a tarefa mais difícil continua sendo a de convencer os jihadistas a deixar o local antes de segunda-feira.

A Turquia confirmou a retirada das armas pesadas de Idlib. "A Turquia, como país patrocinador, cumpriu as suas responsabilidades", assegurou em um comunicado.

Esta retirada é produto do acordo assinado no mês passado entre a Rússia, país aliado do regime de Damasco, e Turquia, que apoia alguns grupos rebeldes, dois países que cooperam estreitamente para pôr fim à guerra que devasta a Síria desde 2011, deixando mais de 360.000 mortos.

Seu acordo sobre Idlib, anunciado em 17 de setembro, prevê a instauração de uma zona 'tampão' de 15 a 20 km de largura, para separar os territórios rebeldes dos setores vizinhos controlados pelo regime sírio.

Segundo este acordo, as facções tinha até esta quarta-feira para retirar seu armamento pesado desta zona.

A organização jihadista Tahrir al Sham Hayat (HTS), dominada pela facção síria da Al-Qaeda, controla 60% dessa província do noroeste, na fronteira com a Turquia. Também estão presentes na região grupos rebeldes e soldados turcos.

Há meses, o regime sírio vem recuperando cidades na província durante meses.

"Já não vemos armas pesadas na zona" desmilitarizada, informou à AFP o diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

A Frente Nacional de Libertação (FNL), coalizão rebelde apoiada por Ancara, afirmou que retirou todas as suas armas pesadas na segunda-feira. Os jihadistas seguiram os mesmos passos, segundo o OSDH.

Jornalistas da AFP no terreno constataram a retirada dos tanques e canhões de artilharia.

- "Tarefa difícil"-
Com o primeiro prazo do acordo respeitado, os especialistas estimam que o segundo prazo é mais difícil de ser cumprido.

O texto estipula a retirada até segunda-feira, 15 de outubro, de todos os jihadistas da futura zona, especialmente os membros da HTS, que não responderam ao acordo.

Cinco dias antes do prazo final, os combatentes da HTS e outros grupos jihadistas não deram qualquer sinal de uma eventual retirada.

De acordo com Haid Haid, analista do instituto britânico Chatham House, a retirada de armas pesadas é a etapa mais fácil do acordo. "A tarefa mais difícil será a retirada das forças (jihadistas) da região", explicou.

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Muallem, expressou confiança na capacidade da Turquia de cumprir sua parte no acordo.

Os jihadistas da HTS, assim como os do Partido Islâmico do Turquestão (TIP) e do Huras al Din, controlam mais de dois terços da futura zona desmilitarizada.

Há anos que muitos jihadistas lutam na Síria e desejam manter sua influência em Idlib.

No que diz respeito à organização, o pesquisador Nicolas Heras, do Center For a New American Security, acredita que "a Turquia irá permitir que a HTS continue a operar no noroeste da Síria enquanto mantiver a descrição".

Nas últimas semanas, a Turquia enviou comboios militares à Idlib e seus soldados patrulham a futura zona desmilitarizada.

Segundi Heras, a Rússia confiou à Turquia a difícil tarefa de negociar com os jihadistas na região.

"Os russos querem'congelar' a guerra no oeste dá Síria para se concentrar na reconstrução das zonas sob o controle de Assad", aponta. 

"Assad quer reconquistar Idlib, mas neste momento não há uma opção melhor que esse acordo", ressaltou Heras.

 


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