Embate Vice-presidente dos Estados Unidos acusa China de lançar um 'salva-vidas' para Venezuela Em um discurso no centro conservador de análises Instituto Hudson, Mike Pence alertou sobre a "diplomacia da dívida" usada por Pequim para aumentar a sua influência no mundo

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 04/10/2018 16:37 Atualizado em:

Foto: Alex Wong/AFP (Foto: Alex Wong/AFP)
Foto: Alex Wong/AFP
O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, acusou a China de lançar um "salva-vidas" para a Venezuela com "empréstimos questionáveis" em troca de petróleo, e criticou que tenha convencido Panamá, República Dominicana e El Salvador de romper lanços com Taiwan.

Em um discurso no centro conservador de análises Instituto Hudson, Pence alertou sobre a "diplomacia da dívida" usada por Pequim para aumentar a sua influência no mundo, oferecendo "bilhões de dólares em empréstimos de infraestrutura" em todos os continentes.

"Pequim lançou um salva-vidas ao corrupto e incompetente regime de (Nicolás) Maduro na Venezuela, que está explorando seu próprio povo, prometendo cinco bilhões de dólares em empréstimos questionáveis a serem pagos com petróleo", disse Pence.

Crítico implacável de Maduro, Pence também destacou que a China é o "maior credor individual" da Venezuela, "angustiando" o povo venezuelano "enquanto a sua democracia se desvanece".

A China se tornou um dos principais aliados da Venezuela, com empréstimos de 62 bilhões de dólares na última década, dos quais ainda são devidos 20 bilhões.

No mês passado, Maduro se reuniu em Pequim com seu contraparte chinês, Xi Jinping. Em seu retorno a Caracas, anunciou um acordo para aumentar a um milhão de barris por dia a produção de petróleo destinada ao país asiático antes de agosto de 2019, com investimentos de cinco bilhões de dólares.

Em 2017, a Venezuela enviou à China 700.000 barris diariamente.

Em seu discurso nesta quinta-feira (4), Pence destacou que os termos dos empréstimos chineses são "obscuros no melhor dos casos", e disse que os lucros "invariavelmente vão" para Pequim.

Pence também questionou que Pequim "corrompa" a política de alguns países, apoiando diretamente partidos e candidatos que se comprometam a apoiar os objetivos estratégicos chineses. 

"Desde o ano passado, o Partido Comunista da China convenceu três nações latino-americanas para romper os laços com Taipé e reconheçam Pequim", assinalou.

"Essas ações ameaçam a estabilidade do Estreito de Taiwan e os Estados Unidos as condena", afirmou Pence. "Os Estados Unidos sempre acreditarão que a adoção da democracia em Taiwan mostra um caminho melhor para todos os chineses".

Nos últimos meses, a China estabeleceu relações diplomáticas com Panamá, República Dominicana e El Salvador, que há pouco tempo mantinham vínculos com Taiwan, nação insular considerada uma província rebelde pelas autoridades comunistas que tomaram o poder na China em 1949.


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