Acidente Um mês após queda da ponte, Gênova tenta curar suas feridas Uma cerimônia está prevista para o fim da tarde para homenagear os 43 mortos e dezenas de feridos

Por: AE

Publicado em: 14/09/2018 08:38 Atualizado em:

Em 14 de agosto, Gênova vivia uma das piores tragédias de sua história, com a queda da ponte Morandi. Foto: MARCO BERTORELLO / AFP
Em 14 de agosto, Gênova vivia uma das piores tragédias de sua história, com a queda da ponte Morandi. Foto: MARCO BERTORELLO / AFP
Em 14 de agosto, Gênova vivia uma das piores tragédias de sua história, com a queda da ponte Morandi. Um mês depois, a cidade ainda busca curar suas feridas, tentando olhar para o futuro.

Às 11h36 (6h36 em Brasília) desta sexta-feira (14), a cidade fez um minuto de silêncio nas ruas, nas praças e nas escolas, enquanto as igrejas soavam o sino. Uma cerimônia está prevista para o fim da tarde para homenagear os 43 mortos e dezenas de feridos.

"Naquele dia, eu estava em casa, dormindo, porque trabalho à noite. Às 11h36 (...) ouvi um barulho muito grande. Nunca pensaria que pudesse ser a ponte. Tinha uma tempestade. Pensei num trovão, ou até num tremor de terra", lembra Giovanni Genco.

Com sua mulher, sua filha de 16 anos e seus sogros, ele faz parte dos mais de 500 evacuados da "zona vermelha", situada sob o que resta da ponte e condenada pelas operações de destruição previstas.

Ele voltou para casa apenas uma vez, para recuperar alguns objetos. "Eu ia com minha família me despedir do apartamento e, então, chega", afirmou ele, com lágrimas nos olhos, destacando que a Autostrade per l'Italia - a concessionária que administra a ponta - "destruiu 20 anos de sua vida". O imóvel, acrescenta, representava "tudo" para eles.

Esse operário da siderurgia de 50 anos espera poder alugar rapidamente um apartamento no bairro. "Eu cresci aqui, tenho meus amigos, o clube de futebol onde eu jogo, tudo", completou.

- 'Eles nos dizem para chorar'

Todos os dias, os "evacuados" circulam pelas barracas improvisadas na rua Fillak: algumas cadeiras, mesas, uma geladeira. Eles comem juntos e conversam, para manter os laços e dar apoio mútuo.

"Todo o mundo vai ver o psicólogo. Porque não está dando. Eles nos fazem falar, eles nos dizem para chorar. É uma válvula de escape", afirma Liliana Morando, de 90 anos.

Com seus dois filhos, ela está na casa de amigos. "Esperamos que eles nos deem um abrigo" provisório, até que a Autostrade nos pague uma nova casa, diz ela.

Selene Parisi, uma das voluntárias que ajuda os desabrigados, relata que no início do clima era de "incredulidade, de desespero. Agora, acho que começa a ter um pouco de raiva, e uma grande cansaço".

Depois de perder dois membros de sua família na tragédia, ela não quer mais ficar em casa: "O barulho (das obras) é terrível".

"Aqui, nada mais será como antes", desabafou, destacando que esse ponto de encontro é "como uma família".

"Ficaremos aqui até que cada um tenha obtido o que lhe é devido", acrescentou.

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