internacional Tribunal egípcio sentencia 75 pessoas à morte e 46 à prisão perpétua O tribunal também condenou à prisão perpétua o chefe do Irmandade, Mohammed Badie

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 08/09/2018 19:14 Atualizado em:

Foto: AFP/Reprodução
Foto: AFP/Reprodução

Um tribunal egípcio condenou, neste sábado, 75 pessoas à morte, incluindo os principais líderes da Irmandade Muçulmana, por envolvimento em um protesto de 2013 liderado por islamitas e que foi contido por forças de segurança, em uma operação que deixou centenas de mortos. Num caso envolvendo 739 réus, que enfrentavam acusações que variam de assassinato a danos à propriedade, o tribunal também condenou à prisão perpétua o chefe do Irmandade, Mohammed Badie e 46 outros.

Mahmoud Abu Zaid, um fotojornalista conhecido como "Shawkan", cuja prisão foi criticada por grupos de direitos humanos dentro e fora do Egito, recebeu uma sentença de cinco anos de detenção. Ele foi preso em agosto de 2013, o que significa que deveria ser liberado nos próximos dias.

Vários julgamentos em massa de islamitas, que renderam dezenas de sentenças de morte, foram realizados no Egito desde 2013, quando os militares, liderados pelo Presidente Abdel-Fattah el-Sissi, derrubaram um presidente islamita proveniente da
Irmandade, grupo que passou a ser proibido e designado como terrorista. Algumas
das sentenças de morte foram anuladas em recurso.

Os julgamentos e sentenças de morte egípcios relacionados ao protesto de 2013 têm consistentemente recebido críticas contundentes de grupos de direitos humanos internacionais, que têm considerado o processo um escárnio da justiça. Neste sábado, a Anistia Internacional condenou as sentenças do mais recente julgamento. 

"As autoridades egípcias deveriam ter vergonha. Exigimos um novo julgamento em um tribunal imparcial e no pleno respeito do direito a um julgamento justo para todos réus, sem recorrer à pena de morte ", disse a diretora da Anistia Internacional, Najia Bounaim. O grupo baseado em Londres também destacou que nenhum membro das forças de segurança enfrentou processos judiciais sobre o que chamou de massacre, ocorrido quando a polícia dispersou o protesto, em 14 agosto de 2013.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.