Incertezas Preocupação política deve afetar crescimento trimestral do Brasil A atividade econômica perde impulso desde o primeiro trimestre, quando o país cresceu 0,4%

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 29/08/2018 10:57 Atualizado em:

As projeções oficiais de crescimento para 2018 caíram de quase 3% em janeiro para 1,5%. Foto: Reprodução/Pexels
As projeções oficiais de crescimento para 2018 caíram de quase 3% em janeiro para 1,5%. Foto: Reprodução/Pexels
A economia brasileira no segundo trimestre foi muito afetada por uma greve dos caminhoneiros e pela incerteza eleitoral, que pode alimentar a desconfiança dos investidores até pelo menos a votação presidencial de outubro.

Segundo a estimativa média de 23 entidades financeiras consultadas pelo jornal Valor, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 0,1% no período abril-junho na comparação com o trimestre anterior.

A atividade econômica perde impulso desde o primeiro trimestre, quando o país cresceu 0,4%, o que demonstra a dificuldade de recuperação do Brasil, que em 2017 saiu de uma recessão histórica de dois anos com uma magra expansão de 1%.

As projeções oficiais de crescimento para 2018 caíram de quase 3% em janeiro para 1,5%. O mercado prevê 1,47%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

A escassa visibilidade política agita os mercados e acelerou a desvalorização do real, que desde janeiro perdeu 20% de seu valor em relação ao dólar.

As esperanças de aceleração econômica receberam um golpe de misericórdia no fim de maio com uma greve de caminhoneiros, que durante 11 dias bloqueou as cadeias de abastecimento de combustíveis, alimentos e diversos produtos em um país dependente da malha rodoviária.

"Temos uma campanha eleitoral totalmente indefinida, e a possibilidade de uma disputa entre posições extremas (no segundo turno) alimentou a incerteza e reduziu os planos de consumo e de investimentos", afirma Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central e atual diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Langoni considera que os dados de sexta-feira afetarão os argumentos do candidatos pró-mercado, "que jogaram muito na ideia que a economia estava saindo de um longo processo recessivo do PT graças à estratégia com viés liberal, com foco na questão fiscal e uma abertura maior em termos de concessões", do presidente Michel Temer.

Ele se refere ao ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, do MDB, e ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB, que apareceram com 1% e 6% das intenções de voto em uma pesquisa Datafolha divulgada na semana passada.

A pesquisa apresenta como líder, com 39%, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena de 12 anos de prisão depois de ter sido condenado por corrupção e que provavelmente terá a candidatura invalidada.

Em seguida aparece o deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro, com 19%. Nenhum outro candidato supera a barreira de 10%.

Alckmin aposta no início da campanha no rádio e TV para crescer nas pesquisas e chegar ao segundo turno.

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