exumação Governo espanhol inicia procedimento legal para exumar Franco O decreto prevê a exumação do ditador Francisco Franco de um mausoléu, o militar governou o país de 1939 à 1975. A proposta provoca divergências políticas no país.

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 24/08/2018 08:59 Atualizado em:

Francisco Franco está enterrado na basílica no Vale dos Caídos, em San Lorenzo del Escorial, próximo à Madri. Foto: Javier Soriano/ AFP
Francisco Franco está enterrado na basílica no Vale dos Caídos, em San Lorenzo del Escorial, próximo à Madri. Foto: Javier Soriano/ AFP
Madri, Espanha - O governo socialista da Espanha aprovará nesta sexta-feira (24/8) um decreto para exumar o ditador Francisco Franco de um mausoléu, uma decisão que provoca divergências políticas no país. Para concretizar a medida, que tem a oposição da família do ditador, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez optou por um decreto-lei.

O decreto deverá ser aprovado no futuro pela Câmara Baixa do Parlamento, onde os socialistas, claramente minoritários, esperam obter a maioria com o apoio da esquerda radical do partido Podemos e dos nacionalistas bascos e catalães.

O objetivo é acabar com uma "anomalia democrática, um mausoléu de culto a um ditador", afirmou o porta-voz socialista no Senado, Ander Gil. O governo se apoia em uma proposta aprovada no Parlamento em maio de 2017, quando o governo era comandado pelo conservador Partido Popular, e que determinava a exumação.

Desde 23 de novembro de 1975, três dias depois de sua morte, o corpo do general Franco, vencedor da Guerra Civil (1936-1939), está no 'Valle de los Caídos". O local, um impressionante complexo a 50 km de Madri, tem uma basílica com uma cruz de 150 metros de altura.

O militar que governou o país de 1939 a 1975 está enterrado no altar da basílica sob uma laje sempre coberta por flores frescas, assim como o fundador do partido fascista Falange, José Antonio Primo de Rivera.

No mesmo complexo foram sepultados quase 27.000 combatentes franquistas e 10.000 opositores republicanos, motivo pelo qual o ditador apresentou o "Valle" como um local de "reconciliação".

Os críticos, no entanto, o consideram um insulto às vítimas da repressão franquista, porque os corpos dos republicanos, retirados de cemitérios e valas comuns, foram levados até o local sem o consentimento de suas famílias. Além disso, o conjunto monumental foi construído por quase 20.000 presos políticos, entre 1940 e 1959.

Pedro Sánchez defendeu a iniciativa poucos dias depois de chegar ao poder, alegando que um lugar como "Valle de los Caídos" seria inimaginável em países como Alemanha ou Itália. A solução lógica seria enviar os restos mortais para o túmulo que a família Franco tem no cemitério El Pardo, na região de Madri.

Os socialistas afirmam que desejam transformar o "Valle de los Caídos" em um verdadeiro local de reconciliação e memória, sem apresentar detalhes sobre como pretendem modificar um conjunto monumental de forte caráter católico e idealizado pelo próprio Franco.

Mas em um país onde a memória sobre a guerra e a ditadura continua sendo um tema envenenado, todos os projetos esbarram na oposição da família do ditador, da Fundação Francisco Franco, que reivindica sua memória, e sobretudo com a do PP, que insiste na necessidade de não reabrir "antigas feridas".

Os conservadores já informaram que pretendem recorrer ao Tribunal Constitucional contra a exumação, pois consideram abusivo o uso de um decreto-lei para um tema que não é urgente.


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