Cabul Ataque suicida contra escola deixa 37 mortos no Afeganistão Outras 40 ficaram feridas, a maioria estudantes

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 15/08/2018 14:43 Atualizado em: 15/08/2018 16:54

Desta vez os talibãs negaram o seu envolvimento. Foto: AFP (Foto: AFP)
Desta vez os talibãs negaram o seu envolvimento. Foto: AFP
Ao menos 37 pessoas, a maioria delas estudantes, morreram nesta quarta-feira (15) em um ataque suicida em um centro educacional de um bairro xiita do oeste de Cabul, informaram as autoridades, no último atentado na capital do Afeganistão.

Uma dúzia de ambulâncias foram para o colégio Mawoud, onde estudantes e familiares descreveram como retiraram as vítimas dos escombros de uma sala de aula que estava cheia de adolescentes que se preparavam para ir à universidade.

"Por volta das 16h00, um suicida que estava com explosivos presos ao corpo os detonou dentro do centro educacional Mawud", assinalou o porta-voz da polícia, Hashmat Stanikzai.

Na explosão "morreram 37 pessoas e mais de 40 ficaram feridas", acrescentou o porta-voz da polícia após afirmar que "a maioria absoluta" das vítima são estudantes.

E advertiu que o balanço ainda pode aumentar. Outras autoridades disseram que havia 48 mortos e forneceram cifras mais altas de feridos. Por enquanto não está claro como havia tantos estudantes neste colégio no momento do ataque.

Uma testemunha, o estudante Ali Ahmad, declarou que havia até 100 estudantes no recinto quando o agressor entrou. No entanto, as autoridades não confirmaram este número.

"Meu irmão ficou ferido, possivelmente morto, porque não respirava quando tirei seu corpo ensanguentado da sala em chamas", declarou um homem, que se identificou como Assadulah. Ele estava perto quando ouviu a explosão e saiu correndo para o colégio, declarou à AFP.

Seu irmão, Nusratulah, tinha 17 anos, disse soluçando ao telefone. "Era um rapaz inteligente e muito enérgico, o melhor de sua turma", contou Assadulah. "Agora (...) não estou certo de que ele vá sobreviver".

Por enquanto não foi reivindicado o ataque, que foi condenado imediatamente pelo presidente Ashraf Ghani em um comunicado.

Tanto os talibãs como o grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicaram muitos atentados na capital e no leste do país durante os últimos meses. Contudo, desta vez os talibãs rapidamente negaram o seu envolvimento.

Conflito no limite
 
O ataque traz à tona o alto preço que os cidadãos afegãos estão pagando neste conflito complexo, enquanto o país vive uma recente piora da violência insurgente, que inclui um ataque maciço e de vários dias realizado pelos talibãs na cidade de Ghazni.

As forças afegãs parecem ter finalmente expulsado os combatentes talibãs da capital estratégica da província nesta quarta-feira, enquanto comerciantes e moradores voltavam cautelosamente às ruas após dias de intensos combates terrestres e ataques aéreos americanos.

As forças de segurança patrulhavam o centro da cidade, onde não viram militantes, mas constataram os destroços deixados pelos combates iniciados na quinta-feira à noite e que parecem ter terminado.

Não obstante, os analistas disseram que os talibãs conseguiram uma vitória militar e psicológica contra Cabul em Ghazni, demostrando que têm a força necessária para atacar uma cidade estrategicamente vital perto da capital e permanecer entrincheirados ali por vários dias.

A queda de uma base do norte esta semana, com ao menos 17 soldados mortos, foi outro golpe para as forças de segurança afegãs, que sofreram muitas baixas.

"O que vimos nos últimos dias é um microcosmos da guerra no Afeganistão; tropas afegãs superadas, combatentes talibãs arrebatados e forças americanas que eventualmente entram para ajudar a retirar os afegãos", disse à AFP o analista Michael Kugelman do Centro Wilson em Washington.

"O que está claro é que quase quatro anos depois que as forças de segurança afegãs ficaram responsáveis pelas operações militares da guerra, infelizmente ainda não estão preparadas para a tarefa, apesar das verdadeiras melhorias em suas capacidades nos últimos anos", concluiu o analista.


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