Homenagens África do Sul homenageia Mandela, um 'gigante da História' Todos os anos, o "Mandela Day", que marca o nascimento em 18 de julho de 1918 de "Madiba" é comemorado em todo o mundo

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 18/07/2018 09:54 Atualizado em:

Foto: GIANLUIGI GUERCIA / AFP
Foto: GIANLUIGI GUERCIA / AFP
Cem anos após o nascimento de Nelson Mandela, a África do Sul presta homenagem nesta quarta-feira (18) a este ícone da luta contra o Apartheid com uma marcha simbólica liderada por sua viúva, Graça Machel, e um fórum organizado pelo ex-presidente americano Barack Obama.

Todos os anos, o "Mandela Day", que marca o nascimento em 18 de julho de 1918 de "Madiba", o apelido do líder sul-africano, é comemorado em todo o mundo. "Atuem, inspirem-se na mudança, façam de cada dia um Dia Mandela", exorta a fundação que leva seu nome.

Na terça-feira (17), em um discurso em um estádio em Joanesburgo para 15.000 pessoas, o ponto alto das comemorações em homenagem a "Madiba", Barack Obama lembrou "a onda de esperança que tomou conta do mundo" depois da libertação de Mandela em 2 fevereiro de 1990, após 27 anos de prisão.

Quatro anos depois, sem derramar sangue após décadas de um regime racista branco, Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul, cargo que ocupou até 1999. "Graças a seu sacrifício e a sua forte liderança, e talvez ainda mais a seu exemplo moral, Mandela (...) personalizou as aspirações das pessoas desfavorecidas", lançou Obama em uma homenagem emocionante a um "gigante da História".

"Isso mostra a nós, que acreditamos na liberdade e na democracia, que teremos que lutar ainda mais para reduzir a pobreza", acrescentou.

A África do Sul, maior potência industrial do continente africano, é atualmente o país menos igualitário do mundo, de acordo com o Banco Mundial.

 Novas cédulas
O país inteiro homenageia Mandela com shows, exposições, torneios esportivos e publicação de livros. Seu rosto sorridente também ilustra novas cédulas de dinheiro.

Graça Machel, terceira e última esposa de Nelson Mandela, que faleceu em 2013, vai liderar uma marcha em Joanesburgo até o Tribunal Constitucional, um lugar altamente simbólico, sinônimo da chegada da democracia na África do Sul em 1994.

Já Barack Obama falará para cerca de 200 jovens que participam de uma formação sobre liderança organizada por sua fundação em Joanesburgo.

Na véspera, o ex-presidente denunciou um mundo de "incertas e estranho", em um discurso cheio de ataques velados a seu sucessor, Donald Trump. Ele atacou os políticos "autoritários" que recorrem à "política do medo" e "apenas mentem".

Também criticou os políticos por negarem a mudança climática. "Eu não posso concordar com alguém que diz que a mudança climática não existe, quando todos os cientistas afirmam o contrário", declarou, referindo-se a uma das primeiras decisões de Trump ao chegar à Casa Branca de retirar os Estados Unidos do acordo climático de Paris.

 'Terra prometida'
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, protegido de Nelson Mandela, comemorou o evento na cidade natal de "Madiba" em Mvezo, na província de Cabo Oriental, no sudeste, onde inaugurou uma clínica.

Mandela "nos conduziu da brutalidade do conflito e da opressão à terra prometida, uma terra de liberdade, democracia e igualdade", disse ele.

Quase 25 anos após o fim oficial do Apartheid, porém, a pobreza persiste na África do Sul, a economia desmorona, e o racismo continua alimentando tensões.

Muitos questionam os sucessores de "Madiba" e a corrupção que gangrena a alta cúpula do Estado, especialmente sob a presidência de Jacob Zuma (2009-2018).



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