Investigação Manchas de sangue do Santo Sudário geram dúvidas Ao menos a metade das manchas do tecido que, segundo a tradição católica, foi usado para envolver o corpo de Jesus Cristo, seriam falsas

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 17/07/2018 11:48 Atualizado em:

Um estudo realizado por dois italianos especialistas em medicina forense chegou à conclusão de que ao menos a metade das manchas do Santo Sudário, tecido que segundo a tradição católica foi usado para envolver o corpo de Jesus Cristo, são falsas.

O estudo, publicado no Journal of Forensic Sciences, foi feito por Matteo Borrini, da Liverpool John Moores University, e por Luigi Garlaschelli, do Comitê para o Controle das Afirmações sobre as Pseudociências (CICAP), e divulgado nesta terça-feira (17) pelo jornal italiano "La Stampa".

"Existem muitas contradições que indicam que o Santo Sudário não é autêntico, e que se trata de uma representação artística ou didática da paixão de Cristo feita no século XIV", concluíram os pesquisadores. Garlaschelli emprestou o próprio corpo para fazer o experimento, no qual usou sangue verdadeiro e artificial.

Os estudiosos se basearam na mesma metodologia usada para cenas de crimes e determinaram que muitas manchas de sangue não são compatíveis com a posição de uma pessoa crucificada. "Simulamos a crucificação com cruzes de diferentes formas, de diversos tipos de madeira e com diferentes posições do corpo: braços na horizontal, vertical, sobre a cabeça", contaram os especialistas.

A famosa relíquia, que fica em Turim (norte da Itália), é um tecido de 436 centímetros de comprimento por 110 de largura, e representa um homem que foi crucificado com pregos nas mãos e nos pés.

O pano, que de acordo com explicações científicas seria "falso", foi fotografado em 1898 pela primeira vez, e a imagem do sudário coincidiu com um "negativo perfeito", o que foi visto como um "milagre".

Desde então, a relíquia desperta todo o tipo de debate, tanto científico como teológico, pelo qual a Igreja Católica não manifestou oficialmente sua aceitação ou recusa, considerando que se trata de uma manifestação de devoção popular.

Em 1988, três laboratórios de Estados Unidos, Suíça e Inglaterra estabeleceram que o linho foi fabricado na Idade Média, entre 1260 e 1390.

Borrini e Galarchelli consideram que o sangue acumulado abaixo da cintura não se justifica com a posição, nem o que se encontra entre os rins, embora tenham detalhado que não analisaram a substância que formou as manchas. "Parecem criadas de forma artificial, com um dedo ou um pincel", destacaram.


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