França Centenas de crianças migrantes estão 'abandonadas a própria sorte em Paris', denuncia organização A HRW, Human Rights Watch, acusa a Cruz Vermelha de registrar erroneamente as idades das crianças, fazendo com que as mesmas durmam nas ruas

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 04/07/2018 11:13 Atualizado em:

Pixabay / Creative Commons
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Centenas de jovens migrantes que chegaram sem família na França estão "abandonados a própria sorte em Paris", porque suas idades foram registradas erradas, denunciou nesta quarta-feira a organização Human Rights Watch (HRW), uma acusação desmentida pela prefeitura e a Cruz Vermelha.

"Em Paris, as autoridades de proteção infantil utilizam procedimentos falhos para avaliar a idade das crianças migrantes viajando sozinhas, excluindo assim muitas delas da atenção" a que têm direito, indica a ONG em um relatório intitulado "É uma loteria".

Centenas de migrantes menores de idade dormem nas ruas de Paris, denunciou a organização, citando testemunhos de crianças de países como Guiné Equatorial, Costa do Marfim e Afeganistão.

Para que as autoridades assumam seus cuidados, os menores que chegam à capital francesa devem passar por um dispositivo gerenciado pela Cruz Vermelha, que determina sua idade.

No entanto, de acordo com a HRW, devido a "práticas arbitrárias", alguns podem ser "equivocadamente considerados adultos" com base em sua "aparência física".

A Cruz Vermelha rejeitou estas acusações, dizendo que usa um sistema de referência para avaliar a idade desses jovens. "Mais de 6.600 pessoas foram acolhidas" graças a este dispositivo no ano passado, acrescentou a agência humanitária internacional em uma carta.

Quase 15.000 "menores desacompanhados" foram entregues aos serviços sociais em 2017, o que corresponde a um aumento de 85% em um ano. Reconhecer que eles são menores de idade é crucial, pois isso determina se podem ter acesso à habitação e educação. Além disso, eles não podem ser expulsos.

A prefeitura de Paris criticou o método declarativo da pesquisa da HRW e a pequena base do número de entrevistados. Afirmou ainda que lançou um "plano de ação" em 2015, ano em que a chegada de migrantes na Europa atingiu seu pico, aumentando as equipes de avaliação e reforçando o dispositivo para acomodar os jovens à espera de tais avaliações.


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