Crueldade Padrasto é acusado de matar enteado de 10 anos por achar que menino era gay As autoridades confirmam que o menino vinha sofrendo abuso físico, sexual e emocional de seus familiares há anos

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 28/06/2018 19:54 Atualizado em:

Anthony revelou que "gostava de meninos" semanas antes de sua morte (Reprodução/Facebook)
Anthony revelou que "gostava de meninos" semanas antes de sua morte
A polícia de Los Angeles prendeu, nesta quarta-feira (27), um homem suspeito de matar o enteado, Anthony Avalos, de 10 anos. Segundo a investigação, o homem teria justificado o crime dizendo que suspeitava que o garoto fosse gay. De acordo com familiares, o padrasto do menino era membro de uma gangue violenta, batizada de M13, nos Estados Unidos. Até a última atualização desta reportagem, as autoridades não sabiam se a mãe teve envolvimento com a morte do filho. 

Em coletiva de imprensa, o xerife Jim McDonnel afirmou que o namorado da mãe de Anthony, Kareem Leiva, 32, está preso e foi acusado de homicídio. A fiança está avaliada em US$ 2 milhões. "Leiva prestou depoimentos que levaram os detetives a prendê-lo pela morte de Anthony", declarou McDonnel. 

A mãe do garoto, Heather Barron, ligou no dia 20 de junho para a emergência e disse que o menino havia sofrido uma queda. Quando os socorristas chegaram ao local, Anthony já estava desacordado e apresentava sinais de abuso e má nutrição. Ele foi encaminhado para o hospital, porém não resistiu e morreu no dia seguinte.

O diretor do Departamento de Crianças e Famílias de Los Angeles, Brandon Nichols, disse ao jornal Los Angeles Times que Anthony revelou que "gostava de meninos" semanas antes de sua morte. Na coletiva, o xerife Jim McDonnel foi questionado se o padrasto matou o menino por conta de homofobia, mas McDonnel alegou que ainda não pode confirmar se esse foi o motivo principal do assassinato.  

Segundo a NBC News, o Departamento de Crianças e Famílias de Los Angeles confirmou que Anthony vinha sofrendo abuso físico, sexual e emocional de seus familiares há anos. Entre o período de fevereiro de 2013 e abril de 2016, os parentes do garoto foram denunciados 12 vezes, incluindo um abuso sexual, quando tinha 4 anos de idade, cometido pelo avô.

Antes de morrer, o menino teria falado sobre essas denúncias. "Anthony revelou detalhes consistentes de que ele estava apanhando, preso em cárcere e que não estava sendo alimentado", Bobby Cagle, diretor do departamento, escreveu uma nota para a NBC News. 

Brandon Nichols afirmou que Anthony morou longe de sua família durante um período de tempo, mas foi enviado novamente para casa. Karla Avalos, uma das tias do garoto, deu entrevista à NBC News, e se sentia frustrada por Anthony e essas crianças terem voltado para casa do casal. "Eu estou irritada porque havia muitas denúncias e ninguém fez nada. Eu não entendo porque eles acharam que era ok ele voltar para casa".  
 
Lorri Jean, diretora do Centro LGBT de Los Angeles, disse à NBC que a instituição vem avisando sobre os problemas que crianças LGBT enfrentam todos os dias com a violência. "Se ninguém fizer nada, não será o último", manifestou.


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