internacional Itália mantém linha dura contra imigração antes de minicúpula O novo governo italiano mudou radicalmente a sua política dentro da União Europeia

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 23/06/2018 15:18 Atualizado em: 23/06/2018 15:20

A Itália deixou à deriva há duas semanas o barco humanitário Aquarius com 629 migrantes no Mediterrâneo. Foto: PAU BARRENA/AFP Photo
A Itália deixou à deriva há duas semanas o barco humanitário Aquarius com 629 migrantes no Mediterrâneo. Foto: PAU BARRENA/AFP Photo

A Itália mantém sua linha dura contra as organizações humanitárias que socorrem os imigrantes no Mediterrâneo, faltando poucas horas para a minicúpula em Bruxelas sobre o assunto.

O novo governo italiano mudou radicalmente a sua política dentro da União Europeia, e agora ameaça imobilizar as embarcações humanitárias, além de impedir sua atracação nos portos italianos, em uma nova estratégia que faz a Europa tremer.

A Itália apresentará no domingo, 24/6, na cúpula dos 28 em Bruxelas, uma proposta para conter a imigração, que a imprensa resumiu em uma espécie de "cortina de ferro" e que conta com o apoio dos países do Leste Europeu.

A minicúpula desta quinta e sexta-feira, 22/6, reúne Espanha, França, Alemanha, Itália, Malta, Grécia, Bulgária (país que detém a presidência rotativa até 1 de julho) e Áustria (que assume o revezamento), entre outros.

A Bélgica e a Holanda, igualmente favoráveis a uma postura severa, decidiram participar da reunião.

No entanto, o governo alemão reduziu as expectativas, enfatizando que uma "solução" europeia para o problema não será alcançada durante esses debates preliminares.

Em vez disso, "acordos bilaterais e multilaterais" serão discutidos, segundo o porta-voz oficial.

A mudança de postura da Itália, que agora é governada por uma coalizão populista formada pelo partido de extrema-direta Liga e pelo antissistema Movimento 5 Estrelas, foi criticada na quinta, 21/6, pelo presidente francês Emmanuel Macron, que lançou uma mensagem velada contra o polêmico ministro do Interior italiano, o xenófobo Matteo Salvini.

O populismo na Europa "é como uma lepra que se espalha pelo Velho Continente, em países que nunca pensamos que voltariam a ocorrer outra vez, em países vizinhos", disse Macron. 

As observações de Macron voltaram a inflamar o relacionamento com Salvini, que instou o presidente francês a receber os milhares de imigrantes que a Itália acolheu nos últimos anos.

"Pare de insultar e passe a aplicar a generosidade que você tanto proclama", respondeu algumas horas depois, em declarações à imprensa.

A Itália, que deixou à deriva há duas semanas o barco humanitário Aquarius com 629 migrantes no Mediterrâneo, anunciou esta semana que fecharia os portos para o navio Lifeline, com 224 migrantes a bordo.

"O barco ilegal Lifeline está em águas maltesas. Para garantir a segurança da tripulação e dos passageiros, solicitamos que Malta abra seus portos", pediu Salvini no Twitter.

"O barco vai ser sequestrado e sua tripulação detida", advertiu.

No entanto, uma fonte próxima ao governo de Malta, citada pelo jornal Times of Malta, indicou na noite desta sexta-feira que "Malta não era nem a autoridade coordenadora nem a competente para os resgates" já que, "a operação foi inicialmente administrada pelo Centro (de Coordenação de Resgate Marítimo) de Roma e pela autoridade líbia".

Pouco depois, Salvini reagiu à negativa de Malta. "Se uma única pessoa se machuca a bordo deste barco (...) pediremos explicações a Malta porque estão diante de seus portos, aos alemães porque é uma associação alemã, e aos holandeses porque carrega sua bandeira", alertou em uma reunião na Toscana.

"Se os malteses se comportam desta forma, saberemos como reagir", acrescentou, insistindo em que o "Lifeline" não chegaria a "um porto italiano".

"Os portos italianos deixaram de estar disponíveis aos traficantes de seres humanos. Que Malta ou França abram seus portos", afirmou Salvini com seu tradicional tom provocativo.

Um dia antes, o ministro dos Transportes italiano Danilo Toninelli, tinha dado a ordem para sequestrar o Lifeline e o Seafuchs, de uma ONG alemã, por navegar com bandeira holandesa falsa e violar leis internacionais de navegação.



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