Conflito Futuro incerto das crianças imigrantes Mesmo com decreto de Trump, há muita incerteza nos EUA sobre reencontro entre pais e filhos

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 23/06/2018 09:56 Atualizado em:

El Paso (AFP) - O caos reina na fronteira entre os Estados Unidos e o México ante a falta de informações: ninguém sabe qual será o destino das 2.300 crianças migrantes separadas de seus pais pelo governo norte-americano. Embora o presidente Donald Trump tenha assinado uma ordem executiva para acabar com a sua política de separação de famílias que entraram de forma clandestina pela fronteira, essas crianças continuam separadas em centros de detenção ou lares de acolhida, às vezes a mais de 3 mil  quilômetros de onde estão seus pais ou responsáveis.

Os pais, detidos para serem processados criminalmente, muitas vezes não têm ideia de onde estão seus filhos e, em alguns casos, já foram deportados sem eles. Os advogados migratórios que fazem a sua defesa asseguram que o governo não tem planos para reuni-los e que trabalham como “detetives particulares” para unir pais e filhos, uma tarefa que comparam com encontrar uma agulha em um palheiro. “No terreno há muita confusão, instruções e informações contraditórias, inclusive por parte de atores do governo”, disse Michelle Brané, diretora de Direitos dos Imigrantes na Comissão de Mulheres Refugiadas. “Isso é só um exemplo de como este governo opera: anúncios de políticas grandes e audazes sem planos sobre como implementá-las, aumentando o caos no terreno”, sustentou Brané na quinta-feira em uma videoconferência.

Como exemplo, relatou o caso de uma menina registrada como uma menor de dois anos e que usava fraldas. Falava quiché, uma língua maia usada na Guatemala e no México, e ninguém a compreendia. Após horas de trabalho investigativo, Brané conseguiu identificá-la em uma lista de 500 nomes: tinha, na realidade, quatro anos, e não dois, seu nome era outro e sua tia estava detida “no mesmo centro, presa em outra jaula”. “Continua sendo um processo caótico”, disse na mesma videoconferência Wendy Young, presidente da Kids In Need of Defense (KIND), uma organização que oferece ajuda legal gratuita a menores imigrantes sem documentos. “Estamos tentando ajudar esses pobres pais que buscam intensamente seus filhos”. “Os integrantes da minha equipe jurídica se tornaram detetives particulares”, contou.



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