LEI Deputados aprovam aborto legal na Argentina após 23 horas de debates Projeto que permite aborto livre até a 14ª semana de gestação agora deve ser votado pelo Senado do país

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/06/2018 10:13 Atualizado em: 14/06/2018 11:00

Foto: Eitan Abramovich / AFP
Foto: Eitan Abramovich / AFP
Após uma sessão de 23 horas de duração, a descriminalização do aborto foi aprovada em primeira leitura por 129 votos a favor, 125 votos contra e uma abstenção na Câmara dos Deputados da Argentina na manhã desta quinta-feira (14). Agora, o projeto que permite o aborto livre até a 14ª semana de gestação passará para a consideração dos senadores.
Atualmente na Argentina, assim como no Brasil, o aborto é permitido apenas em caso de estupro ou risco para a vida da mulher.

"Há motivos de saúde pública. Tivemos três ministros da Saúde, os três com visões diferentes por pertencerem a governos distintos, e nisto coincidiam: a legalização do aborto melhora os cuidados de saúde das mulheres argentinas", afirmou ao abrir a sessão o deputado do governo Daniel Lipovetzky, que esteve encarregado dos debates.

"Para além das boas intenções, (o projeto de lei) subverte uma ordem biológica, biomédica, jurídica e histórica da nação", criticou o deputado Horacio Goicoechea, da União Cívica Radical, aliada do governo de Mauricio Macri.

Argentina, país do papa Francisco e de forte influência da Igreja católica, foi pioneira na América Latina em aprovar o casamento igualitário. Mas a questão do aborto nunca havia sido discutida no parlamento. Embora tenha se declarado "a favor da vida", o próprio Macri encorajou o debate, depois de sete tentativas fracassadas em governos anteriores. 

Lado de fora

Terminada a votação, do lado de fora do Congresso, mulheres, em sua maioria jovens, se abraçaram e choraram com o resultado.

Marita Perez conta que passou a noite inteira dormindo com três amigas em uma barraca e disse que não esperava a aprovação. “Até o último momento achava que não íamos conseguir”, disse a jovem. Segundo ela, as manifestações vão continuar. “O desafio agora é convencer os senadores que são mais conservadores a votar pela descriminalização do aborto”, completou.

Madrugada fria

Milhares de argentinos viraram a noite na praça em frente ao Congresso, para acompanhar a votação, na Câmara dos Deputados. Todos estavam preparados para enfrentar o frio de 5 graus: fizeram fogueiras, montaram barracas e dançaram, ao som de tambores, pedindo aos legisladores o direito a um “aborto livre, gratuito e seguro”.

A sessão começou ontem (13) e, até o fim da noite, havia um empate entre os deputados que discursaram a favor e contra a legalização do aborto. Do lado de fora do Congresso, ativistas dos dois lados ocupavam a praça e defendiam sua posição.

Números

Segundo as estimativas, 500 mil abortos clandestinos são feitos todos os anos na Argentina. Cerca de 60 mil resultam em complicações e hospitalizações. E muitas mulheres – a maioria pobres ou do interior – morrem por causa de abortos mal feitos.

Com informações do Jornal Clarín e Agência Brasil.


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