Mundo Sete países apoiam proposta de suspensão da Venezuela da OEA O país é acusado de ruptura da ordem democrática

Publicado em: 04/06/2018 22:44 Atualizado em:

O Brasil integra a lista de países que propuseram nesta segunda-feira (4) a suspensão da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA). O pedido para iniciar o processo de afastamento ocorreu na abertura da 48ª Assembleia Geral da OEA. A proposta será votada nessa terça-feira (5) e precisa do apoio de 18 dos 34 países-membros da organização.

Esta é a primeira assembleia geral desde a reeleição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no último dia 20. Os principais lideres oposicionistas da Venezuela estavam presos, exilados ou tinham sido proibidos de se candidatar, enquanto os maiores partidos da oposição boicotaram a votação para não legitimar o que consideravam uma fraude. Muitos países, inclusive o Brasil, também consideraram fraudulento o processo eleitoral.

Em discurso na abertura do evento, que está sendo realizado em Washington, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, pediu apoio à um projeto de resolução que suspende a Venezuela da instituição até a restauração da ordem democrática no país. Os outros países que apoiaram o documento de Pompeo, além do Brasil, foram Argentina, Canadá, Chile, México e Peru. 

“A suspensão não é uma meta em si”, disse Pompeo. Segundo o secretário de Estado, a medida seria um “recado ao regime de Maduro” de que o país só será aceito pela comunidade internacional depois de realizar novas e “verdadeiras eleições” presidenciais.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, rebateu a proposta dizendo que seu país não aceitaria nenhum tipo de interferência externa. “O presidente da Venezuela se chama Nicolás Maduro Moros e teve 68% de apoio popular nas eleições de 20 de maio”, afirmou Arreaza. “Não nos importa se os Estados Unidos, ou qualquer outro país, não reconheçam os resultados.”

Na prática, a suspensão da Venezuela da OEA seria mais uma condenação política da comunidade internacional ao país. No ano passado, Maduro ameaçou abandonar a OEA, em protesto contra o que chamou de complô internacional contra o regime socialista venezuelano, no poder há 18 anos.

Além da suspensão da Venezuela, Mike Pompeo pediu que os países exerçam mais pressão sobre Maduro – incluindo sanções econômicas. O tema é delicado, uma vez que a hiperinflação, o desabastecimento e a radicalização política já levaram milhares de venezuelanos aos países vizinhos – especialmente Brasil e Colômbia – que hoje sentem o impacto da crise humanitária.


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