Mandato Pedro Sánchez assume presidência do governo da Espanha Líder do Partido Socialista tomou posse neste sábado e prestou juramento ante o rei Felipe VI

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 02/06/2018 11:27 Atualizado em: 02/06/2018 11:38

Foto: Emilio Naranjo / AFP
Foto: Emilio Naranjo / AFP
O líder do Partido Socialista, Pedro Sánchez, tomou posse neste sábado com presidente do governo espanhol, um dia depois de uma histórica moção contra o conservador conservador Mariano Rajoy.

Sánchez, economista de 46 anos e sem experiência de governo, prestou juramento ante o rei Felipe VI no Palácio de Zarzuela, perto de Madri.

"Prometo por minha consciência e honra cumprir fielmente as obrigações do cargo de presidente do governo com lealdade ao rei e fazer respeitar a Constituição como norma fundamental do Estado", afirmou com a mão sob a Carta Magna espanhola.

A grande novidade da cerimônia foi que, pela primeira vez desde a restauração da democracia em 1977, o novo presidente jurou sem símbolos religiosos, como a bíblia e o crucifixo.

O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) terá agora a tarefa de designar os membros de seu governo, que assumirão suas funções depois que a lista for publicada no  Diário Oficial do Estado nos próximos dias.

Na véspera, com o apoio de uma intrincada maioria, o que permite prever um mandato complicado, Sánchez derrubou Rajoy em uma moção de censura no Parlamento, e se tornou o novo primeiro-ministro da Espanha.

Na votação na Câmara, Sánchez reuniu o apoio da maioria dos deputados (180 de 350) para a moção de censura, apresentada depois que a Justiça condenou o Partido Popular (PP) de Rajoy em um caso de corrupção.

Para destituir Rajoy, Sánchez organizou uma complexa coalizão formada pela esquerda radical do partido Podemos, os separatistas catalães e os nacionalistas bascos. No total, oito forças políticas votaram na sexta-feira, unidas na rejeição a Rajoy, que governava desde 2011, mas sofreu muitos golpes com a multiplicação dos casos de corrupção que envolviam seu partido

Depois de perder usas eleições gerais e ter sido afastado por seu partido, em apenas um ano Sánchez conseguiu recuperar a liderança do  PSOE apoiado pela militância.

- Desafio catalão -
A posse de Sánchez coincidiu com a cerimônia em que o novo governo catalão, do separatista Quim Torra, assumiu suas funções, pondo fim à intervenção da autonomia regional por parte de Madri após a fracassada declaração de independência de 27 de outubre.

"Presidente Pedro Sánchez, vamos nos falar, vamos tratar desta questão, vamos assumir riscos, o senhor e nós. Temos que nos sentar à mesma mesa e negociar de governo para governo. Esta situação que vivemos já não pode durar nem mais um dia", afirmou Torra na cerimônia catalã.

Quando era líder da oposição,  Sánchez criticou duramente a tentativa de separação e apoiou a estratégia governamental de impor o controle regional.

Neste sábado, suavizou o tom quando prometeu ante o Congresso "restabelecer pontes" e "normalizar as relações" com o novo governo da Catalunha, uma região de 7,5 milhões de habitantes e detentora de 20% do PIB espanhol.

"É evidente que temos que realizar eleições gerais", afirmou ainda, sem mencionar datas.

Também reafirmou seu "compromisso com a Europa" e prometeu "estabilizar socialmente o país", que tem a segunda pior taxa de desemprego da zona euro.

-  Margem de ação limitada -
A maior pressão para realizar eleições o quanto antes certamente virá do partido liberal Cidadãos, que não apoiou a moção de censura e que, segundo as pesquisas, está em uma boa posição.

Sánchez verá limitada sua capacidade de ação, com todos os partidos que o apoiaram alertando que não deram a ele um cheque em branco.

O partido Podemos já criticou Sánchez por se comprometer a aplilcar o orçamento de Estado para 2018, elaborado pelo governo Rajoy.

Sánchez buscou com isso garantir o apoio decisivo do Partido Nacionalista Basco, que obeteve um generoso pacote de investimentos para o País Basco.

As iniciativas bem sucedidas de Sánchez serão as que darão a ele a possibilidade de conseguir maioria fácil, como, por exemplo, a reforma da lei de segurança, criticada pela esquerda, observou Fernando Vallespín, analista político da Universidade Autônoma de Madri.
 


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