Após polêmica envolvendo pedófilos Bispos chilenos encaram encontro crucial com papa Francisco A convocação ocorre duas semanas após Francisco receber em um ambiente familiar três vítimas de abusos sexuais do padre chileno Fernando Karadima

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 14/05/2018 13:34 Atualizado em:

Foto: Filippo Monteforte / AFP
Foto: Filippo Monteforte / AFP
A hierarquia da Igreja chilena inicia na terça-feira (15), no Vaticano, uma série de encontros com o papa Francisco, um momento de grande importância após o qual o pontífice prometeu "mudanças adequadas e duradouras" para prevenir a pedofilia e seu encobrimento dentro da instituição.

Os 31 bispos, que já estão em Roma, vão participar de reuniões entre terça e quinta-feira com o papa e o cardeal canadense Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos.

Os encontros serão individuais e em grupo e foram programados para acontecer em uma sala anexa ao Salão Paulo VI, dentro do Vaticano.

A convocação ocorre duas semanas após Francisco receber em um ambiente familiar três vítimas de abusos sexuais do padre chileno Fernando Karadima, em um encontro durante o qual ele assegurou que tomaria medidas para acabar com a pedofilia e, especialmente, com sua ocultação dentro da Igreja.

Os 31 bispos chilenos não estão hospedados na Casa Santa Marta, a residência do papa dentro do Vaticano, um gesto que alguns consideram de particular distanciamento.

Participará dos encontros o polêmico cardeal Javier Errázuriz, arcebispo emérito de Santiago do Chile e membro do conselho de nove cardeais que aconselha o papa em suas reformas, que poderia deixar esse posto oficialmente "por motivos pessoais", de acordo com o vaticanista Andrea Tornielli.

O cardeal foi acusado pelas vítimas de Karadima de dificultar a investigação canônica contra o padre e, portanto, será fundamental ouvir sua versão.

Possível expurgo de cardeais e bispos

Em um comunicado particularmente duro e extenso divulgado no sábado, o Vaticano explicou que o papa Francisco "considera ser necessário analisar em profundidade as causas e consequências, bem como os mecanismos que conduziram, em alguns casos, ao acobertamento e a graves omissões".

O Vaticano afirma que serão investigados eventuais "abusos de poder, sexuais e de consciência, ocorridos no Chile nas últimas décadas".

Não está excluído que o papa substitua vários prelados para abrir uma nova era da Igreja chilena, consciente dos danos causados %u200B%u200Bà imagem já manchada da instituição no país latino-americano.

Apesar de o Vaticano anunciar que não vai liberar qualquer declaração após as reuniões, fontes religiosas dizem que o papa aceitará a renúncia dos religiosos Juan Barros Madrid, bispo de Osorno, Horacio Valenzuela, bispo de Talca, Tomislav Koljatic, bispo de Linares, e do auxiliar de Santiago, Andrés Arteaga, seriamente doente.

Os quatro se formaram à sombra do influente Karadima na igreja de El Bosque, em Santiago.

Tornielli também acredita que serão substituídos o cardeal Ricardo Ezzati, aproveitando-se do fato de que cumpriu o limite de idade canônica, bem como o núncio apostólico, ou embaixador do papa, Ivo Scapolo, que decidiu se aposentar após críticas por sua gestão desastrosa.

Não é a primeira vez que um pontífice faz uma limpeza de tal magnitude para casos de abusos sexuais. João Paulo II fez isso em 2002 com a Igreja dos Estados Unidos, e Bento XVI, em 2010, com a da Irlanda.


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