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Violência Guerra na Síria: mais de 350.000 mortos, tragédia humana colossal Desde o início do conflito, mais de 5,4 milhões de sírios fugiram para o exterior, a maioria buscando refúgio em países vizinhos

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 13/03/2018 12:15 Atualizado em: 13/03/2018 11:57

A revolta na Síria contra o regime de Bashar al-Assad tornou-se uma guerra devastadora e complexa. Foto: Reprodução/Internet
A revolta na Síria contra o regime de Bashar al-Assad tornou-se uma guerra devastadora e complexa. Foto: Reprodução/Internet
Mais de 350.000 mortos, ao menos a metade da população deslocada e um país em ruínas: iniciada em março de 2011, a revolta na Síria contra o regime de Bashar al-Assad tornou-se uma guerra devastadora e complexa. "Esses sete anos de guerra deixam para trás uma tragédia humana de dimensões colossais", lamentou no sábado o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Filippo Grandi.

Vítimas 
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que dispõe de uma extensa rede de informantes em toda a Síria, diz que "353.935 pessoas morreram desde 15 de março de 2011", incluindo 106.390 civis. Entre estes estão "19.811 crianças e 12.513 mulheres", de acordo com um relatório divulgado na segunda-feira.

Neste país, que tinha cerca de 23 milhões de habitantes antes do conflito, cerca de metade da população foi forçada a fugir de suas casas por causa dos combates. A ONG francesa Handicap International, preocupada particularmente com os estragos das armas explosivas, informou em 2017 um milhão de feridos.

Refugiados 
Desde o início do conflito, mais de 5,4 milhões de sírios fugiram para o exterior, a maioria buscando refúgio em países vizinhos, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (dezembro de 2017).

A Turquia hospeda o maior número de sírios registrados pelo ACNUR, mais de 3,3 milhões. No Líbano, a vida é uma luta diária para quase um milhão de refugiados sírios que vivem sem recursos financeiros, diz o ACNUR. A Jordânia vem em seguida (657 mil registrados no ACNUR; 1,3 milhão de acordo com as autoridades), Iraque (mais de 246 mil) e Egito (126 mil sírios).

Centenas de milhares de sírios também foram para a Europa, principalmente para a  Alemanha.

Presos, torturados 
Em 2017, a Anistia Internacional acusou o regime de ter enforcado cerca de 13 mil pessoas entre 2011 e 2015 na prisão de Saydnaya, perto de Damasco, denunciando uma "política de extermínio".

Esses enforcamentos se somam às 17.700 pessoas mortas nas prisões do regime que a organização já havia contabilizado, de acordo com ela. Segundo o OSDH, pelo menos 60 mil pessoas morreram sob tortura ou pelas terríveis condições de detenção nas prisões do regime de Assad.

Meio milhão de pessoas estiveram nas prisões do regime desde o início da guerra, de acordo com o Observatório. Além disso, "vários milhares" morreram nas prisões de grupos rebeldes e jihadistas (OSDH).

Desprovidos, cercados 
De acordo com especialistas, o conflito fez a economia síria regredir três décadas, uma vez que grande parte das infraestruturas foi destruída. Segundo autoridades sírias, a produção de petróleo foi reduzida a nada. Se a energia é o setor mais afetado, todas as áreas foram atingidas pelo conflito.

Em julho de 2017, o Banco Mundial (BM) estimou o custo das perdas relacionadas à guerra em US$ 226 bilhões (€ 183 bilhões), o equivalente a quatro vezes o produto interno bruto (PIB) de antes do conflito. "A guerra na Síria está destruindo o tecido social e econômico do país", declarou seu vice-presidente para o Oriente Médio e Norte da África. 

O conflito danificou ou destruiu 27% das habitações e cerca de metade dos centros médicos e educacionais, de acordo com o BM. Segundo o Departamento de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), "mais de 13 milhões de pessoas precisam de ajuda e proteção, (...) enquanto 69% da população vive em extrema pobreza" (janeiro 2018).

O Acnur indicou que 2,98 milhões de pessoas estão em áreas de difícil acesso e em cidades sitiadas. Em outubro, a ONU condenou a "privação de alimento deliberada de civis" como uma tática de guerra, após a publicação de imagens "chocantes" de crianças esqueléticas no enclave rebelde de Ghuta Oriental, perto de Damasco.


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