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FASHION Tom Ford inaugura Semana da Moda de NY com lantejoulas dos 1990 Mais de 230 mil pessoas invadem nas próximas duas semanas a capital cultural dos Estados Unidos para assistir a centenas de desfiles e festas

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 07/09/2017 18:08 Atualizado em:

Tom Ford inaugurou nesta quinta-feira a New York Fashion Week com um desfile retrô dedicado à glória e às lantejoulas dos anos 1990, buscando calar desta forma as críticas de que a festa da moda nova-iorquina já não tem o mesmo brilho de antes.

Mais de 230.000 pessoas invadem nas próximas duas semanas a capital cultural dos Estados Unidos para assistir a centenas de desfiles e festas, em um evento que contribui com quase 900 milhões de dólares anuais para a economia da cidade.

Ford, um texano de 56 anos que, além de estilista, também é diretor de cinema, transformou na noite de quarta-feira o Armory da Park Avenue de Manhattan em uma passarela íntima, com convidados especiais como Julianne Moore, Kim Kardashian, Cindy Crawford e Helena Christensen.

"Espero que atraia uma clientela mais jovem", confidenciou Ford ao site The Business of Fashion. "É algo um pouco mais moderno".

Ford colocou na passarela modelos em tops com lantejoulas e jaquetas de corte perfeito. As cores eram neutras, apesar de também haver peças de um rosa intenso.

O show logo virou uma festa para o lançamento de sua nova fragrância, "Fucking Fabulous", em grande estilo, com rapazes sem camisa e em shorts esportivos distribuindo hambúrgueres e coquetéis.

Ford disse à The Business of Fashion que o show foi um retorno ao espíritos de suas coleções para a Gucci nos anos '90, quando ganhou fama.

Os produtos que têm seu nome não negam seu sucesso, com lucros de quase dois milhões de dólares este ano.

Foi um começo atrevido para a Semana da Moda, em um momento em que muitos estilistas famosos trocam Nova York pela Europa e em que aumenta o debate sobre a relevância de se continuar com os desfiles na Grande Maça e se devem apresentar coleções para o calor ou para o frio.

Oficialmente é a temporada primavera/verão 2017-2018, mas Ralph Lauren e várias outras marcas mudaram para o modelo "veja agora, compre agora", o que basicamente significa exibir a roupa de outono e inverno para que esteja disponível para a compra de forma imediata.

O objetivo dessas mudanças responde a uma tentativa desesperada de dar ao mercado dos "millenials" o que mais quer: gratificação imediata no mundo das redes sociais, onde planejar guarda-roupa com seis meses de antecipação não faz o menor sentido.

Grandes marcas se despediram de Nova York nesta edição: Proenza Schouler, Rodarte, Altuzarra e Thom Brown optaram por Paris e Tommy Hilfiger, por Londres.

Especialista preveem tempos de mudança e uma oportunidade para que marcas jovens, como Monse ou Sies Marjan, brilhem.

Outros apontam para a renovada reputação da Europa como um mercado de maior criatividade e vanguarda.

- Maior, mais bonito -

Nova York lidera o caminho quando se trata dos modelos plus size nas passarelas, um movimento encarnado pela modelo Ashley Graham.

A tendência chega depois que várias marcas da moda em Paris, incluindo Christian Dior e Saint Laurent, prometeram deixar de usar modelos hipermagras em função de escândalos de anorexia e maus-tratos.

Quanto à categoria de cantores-estilistas, Rihanna mostrará sua coleção Fenty Puma no domingo. A superestrela do rap Kanye West apresentará sua sexta coleção para a marca de roupa esportiva urbana Yeezy, mantida até agora sob segredo absoluto.

- Lista VIP -

O rei da moda americana, Ralph Lauren, restringiu sua lista de convidados à garagem de sua casa em Bedford, Nova York, onde fará seu show, seguido por jantar formal onde o código de vestimenta só permitirá o preto e o branco.

Os seletos convidados terão de fazer uma pequena viagem - Bedford fica 64 km ao norte de Manhattan - para assistir ao espetáculo da marca que faz 50 anos em 2018.

- Contra o racismo -

Os estilistas americanos se levantaram contra a presidência de Donald Trump. Alguns se negaram a vestir sua esposa Melania e, em fevereiro passado, a política inundou as passarelas.

O Conselho de Estilistas de Moda dos Estados Unidos se assocou à União pelas Liberdades Civis do País (ACLU, sigla em inglês) para fazer campanha contra o racismo depois da violenta manifestação com neonazistas e supremacistas brancos na cidade de Charlottsville, na Virgínia, no mês passado, que terminou com uma mulher morta e dezenas de feridos.

"Queremos estar na linha de frente, não nas margens, para lutar com coragem para proteger nossos apreciados direitos e liberdades, algo que demanda uma renovada urgência", declarou o presidente do Conselho, Steven Kolb.

Uma fita azul está sendo distribuída aos participantes e ao público dos desfiles com esse objetivo.


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