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Moda Moda engajada se fortalece e inspira livro pernambucano No Recife, a publicação Colecionando o Tempo é lançada nesta quinta-feira (10), no Barchef, em Casa Forte

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 10/11/2016 13:21 Atualizado em: 10/11/2016 13:05

Coleção Identidade, da Trocando em Miúdos, é destaque no livro Colecionando o tempo, que celebra os dez anos da marca pernambucana. Fotos: Andrea Rego Barros/Divulgação e Thiago Santos/DP
Coleção Identidade, da Trocando em Miúdos, é destaque no livro Colecionando o tempo, que celebra os dez anos da marca pernambucana. Fotos: Andrea Rego Barros/Divulgação e Thiago Santos/DP

O engajamento é a última moda. Está nas vitrines, nos desfiles, lookbooks, bastidores de coleções. Ressocialização, transfobia, racismo, machismo, ditadura, anorexia e preservação de recursos naturais cruzam as passarelas em estampas, posturas, expressões, revigorando um universo antes analisado exclusivamente pelo viés comercial.

Na literatura, o movimento - encabeçado no Brasil por estilistas como Ronaldo Fraga e Raquell Guimarães, ambos mineiros - ganha eco em publicações como Caderno de roupas, memórias e croquis (Editora Cobogó, R$ 120), criado a partir dos rascunhos de Fraga, e Moda com propósito (Editora Paralela, R$ 49,90), lançado neste mês. Em Pernambuco, ganha registro no título Colecionando o tempo (Editora Zoludesign, R$ 100), lançado hoje, às 21h, no Barchef Mercado Gourmet, em Casa Forte, Zona Norte da cidade.

As obras lançam luz sobre a moda trabalhada a partir de cadeia de produção afetiva e proposta politizada. Em Colecionando o tempo, dedicado à trajetória da marca pernambucana de acessórios Trocando em Miúdos, criada pelas designers Juliane Miranda e Amanda Braga, inspirações socioculturais são destrinchadas. Vê-se como os debates atuais - empoderamento feminino, valorização da cultura negra - se transformam em peças.

No livro, assinado pela jornalista Luciana Veras, bastidores das coleções da marca se revelam. Foto: Divulgação
No livro, assinado pela jornalista Luciana Veras, bastidores das coleções da marca se revelam. Foto: Divulgação
“Esse tipo de registro literário documenta uma tendência. É uma maneira de provar que existe esse caminho, que é possível produzir com verdade, sentimento, de uma maneira humana. A ideia é simples: trazer debates sociais ao universo da moda, plantar a semente de temas graves com delicadeza, beleza”, explica Juliane.

Se destaca no livro, assinado pela jornalista Luciana Veras, a coleção Identidade, a mais recente da Trocando em Miúdos, dedicada a homenagear a herança africana na cultura brasileira. Nomes da música nacional, como Elza Soares e Liniker, além da pesquisadora e feminista Djamila Ribeiro, entre outras referências para o empoderamento negro, batizam as peças (14 tipos de anéis, 50 brincos, 28 colares), que Juliane classifica como frutos da fase mais madura da marca, criada há dez anos.

Reflete o abordado por André Carvalhal em Moda com propósito: o ex-gerente de marketing e conteúdo da Farm e entusiasta da moda colaborativa discorre sobre o que “deveria nortear todas as marcas da atualidade: o fazer com propósito”, pregando menos consumo e mais significado.

>> MAIS ENGAJAMENTO

Fraga denunciou a transfobia na passarela do SPFW. Foto: Marcelo Soubhia/Divulgação
Fraga denunciou a transfobia na passarela do SPFW. Foto: Marcelo Soubhia/Divulgação
Transfobia

Na última edição da São Paulo Fashion Week, em São Paulo (SP), o estilista mineiro Ronaldo Fraga emocionou o público ao levar 28 modelos transexuais à passarela. A coleção levantou bandeira contra a transfobia, expondo dados de relatório da ONG internacional Transgender Europe que apontam o Brasil como o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em gravação no início da performance, a voz do estilista revelou o tema de seu verão 2017: O corpo aprisiona e as roupas libertam o ser. “Nós não precisamos mais de roupas. A moda precisa começar a dialogar em outras frentes”, afirmou no discurso.

Lindebergue comoveu a plateia do Dragão Fashion com performance que satirizava a ditadura. Foto: Nicolas Gondim/Divulgação
Lindebergue comoveu a plateia do Dragão Fashion com performance que satirizava a ditadura. Foto: Nicolas Gondim/Divulgação
Ditadura

Em maio deste ano, o Dragão Fashion, em Fortaleza (CE), foi palco de protesto político do estilista Lindebergue Fernandes. Ele apresentou modelos fantasiados de palhaços tristes, com chapéus de papel e maquiagem borrada. Canção do subdesenvolvido (Carlos Lyra e Chico de Assis), Jesus Cristo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) e Sociedade alternativa (Raul Seixas e Paulo Coelho) estavam na trilha sonora, dedicada, assim como os elementos estéticos, a criticar a ditadura militar. O primeiro modelo segurava bandeira verde e amarela, e o último, bandeira branca, símbolo da paz.

A grife mineira Doisélles desfilou com detenta no casting de modelos. Foto: Marcelo Soubhia/Divulgação
A grife mineira Doisélles desfilou com detenta no casting de modelos. Foto: Marcelo Soubhia/Divulgação
Ressocialização

Em casa, durante o último Minas Trend Preview, a estilista mineira Raquell Guimarães expôs falhas no sistema penitenciário brasileiro e reforçou a necessidade de ressocialização dos detentos. As peças de lã da grife Doisélles são confeccionadas por detentos da Penitenciária Professor Ariosvaldo de Campos Pires, em Juiz de Fora, desde 2008, agora somadas à malharia fabricada no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte. Com trilha sonora do rapper Criolo, o desfile teve discurso gravado da estilista, que questionou os conceitos de justiça e liberdade. Raquell incluiu no casting de modelos a detenta Marcella Moreira, apoiada por autorização judicial.

SERVIÇO
Lançamento do livro Colecionando o tempo
Quando: Quinta-feira (10), das 18h às 21h
Onde: Barchef Casa Forte (Av. 17 de Agosto, 1893 - Casa Forte)
Informações: 3204-8500

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