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Moda Emicida leva ideologias do hip hop à passarela da SPFW A primeira coleção da LAB deu tom político à principal semana de moda brasileira, pregando empoderamento e representatividade

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 26/10/2016 20:41 Atualizado em: 26/10/2016 16:23

Emicida ainda comandou show aberto ao público após o desfile de estreia da Lab. Foto: Fotos: Rafael Chacon/Ag. Fotosite/Divulgação oficial do SPFW
Emicida ainda comandou show aberto ao público após o desfile de estreia da Lab. Foto: Fotos: Rafael Chacon/Ag. Fotosite/Divulgação oficial do SPFW

Todo engajamento político numa semana de moda é bem vindo. Toda ressignificação do papel social dessa indústria também. A estreia da LAB, braço da Laboratório Fantasma, comandada pelo rapper Emicida e por seu irmão, o também músico Evandro Fióti, oxigenou a passarela da São Paulo Fashion Week nesta semana.

Com casting majoritariamente negro, a marca propagou discurso inclusivo, democrático, social. A postura firme com que os modelos - com cabelos black power ou cabeças raspadas - apresentaram as peças da coleção Yasuke (inspirada no samurai negro de mesmo nome) deixaram clara a proposta de empoderamento e representatividade.

Composições da LAB deram protagonismo ao capuz e a silhuetas maximizadas. Fotos: Zé Takahashi/Ag. Fotosite/Divulgação oficial do SPFW
Composições da LAB deram protagonismo ao capuz e a silhuetas maximizadas. Fotos: Zé Takahashi/Ag. Fotosite/Divulgação oficial do SPFW

As peças, desenvolvidas em parceria com o estilista e diretor criativo do desfile João Pimenta (que já assinava as camisetas da LAB), resgataram elementos da cultura africana, asiática e do street style, priorizando silhuetas amplas, como quimonos, casacos com capuz, moletons e camisetões. As calças foram ao extremo: pantalonas generosas e leggings justas ao corpo. Os tamanhos das roupas, trabalhadas entre preto, branco e vermelho, vão além do GG, a fim de alcançar grupos pouco contemplados pela indústria fashion.

Os músicos Seu Jorge e Ellen Oléria participaram do desfile, que também incluiu modelos plus size. Sobre o projeto, Fióti chegou a declarar mais de uma vez que não se tratava de um protesto, mas de um retrato do Brasil como ele realmente é. Nos bastidores e em bate-papo promovido pela Natura pouco antes do desfile, Emicida e Fióti puderam comentar suas ideias, a forma como estabelecem conexão entre música e moda, e como veem os dois segmentos como ferramentas de transformação social.

No meio, Seu Jorge, que desfilou moletom e saia plissada. Fotos: Zé Takahashi/Ag. Fotosite/Divulgação oficial do SPFW
No meio, Seu Jorge, que desfilou moletom e saia plissada. Fotos: Zé Takahashi/Ag. Fotosite/Divulgação oficial do SPFW

A estreia da LAB, cuja trilha sonora foi desenvolvida pelo rapper especialmente para a ocasião, teve início com manifesto lido por Emicida. Ele assistiu à performance de seu casting ao lado de Costanza Pascolato, referência na moda brasileira, na primeira fila da plateia. Na sequência do desfile, comandou show aberto ao público nas áreas comuns do Parque Ibirapuera, principal cenário do SPFW. Emicida transformou a passarela da principal fashion week brasileira em mais um palco de sua mensagem democrática, igualitária, crítica, representativa - bandeiras herdadas do movimento hip hop.



>> MÚSICA

Emicida e Fióti não são os únicos músicos a empreender no ramo da moda nas fashion weeks atuais. Nos Estados Unidos, o rapper Kanye West causou polêmica pelo mau tratamento dado às modelos no desfile de sua grife, a Yeezy. Nos dois casos, referências da cultura hip hop foram tomados por referência nos itens das marcas. Os desfiles costumam ser ambientados em cenários urbanos, com trilha sonora baseada no rap, gênero musical compartilhado por eles nos palcos.

>> MODA
Não é sempre que o público frequentador das semanas de moda “lê” desfiles além das principais tendências de beleza e estilo das temporadas seguintes. Propostas como as de Emicida - tão raras quanto necessárias no universo das passarelas - se assemelham ao trabalho do cearense Lindebergue Fernandes - que no último Dragão Fashion, em Fortaleza (CE), fez crítica ao panorama político do Brasil, ao som de Sociedade Alternativa (Raul Seixas) - e da mineira Raquell Guimarães - que levou uma detenta ao casting da grife Doisélles no último Minas Trend Preview, em Belo Horizonte (MG), além do internacionalmente reconhecido Ronaldo Fraga, expoente da moda mineira, famoso por suas coleções baseadas em narrativas com forte engajamento social.


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