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Moda Artista visual pernambucana lança coleção inspirada em Tarsila do Amaral Dani Acioli assina quatro estampas transformadas em vestidos e lenços, lançados nesta quarta-feira (9)

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 09/12/2015 11:30 Atualizado em: 14/12/2015 12:21

As quatro estampas foram reproduzidas em quantidade limitada de vestidos. Fotos: Andrea Rego Barros/Divulgação
As quatro estampas foram reproduzidas em quantidade limitada de vestidos. Fotos: Andrea Rego Barros/Divulgação


O primeiro casamento da pintora modernista Tarsila do Amaral durou pouco. O marido, um médico conservador, não aceitava o desenvolvimento artístico de Tarsila, ousado para a época. De batom vermelho, ela desfilava postura vanguardista no início do século 20, quando o modernismo começava a ganhar força no Brasil. Separou-se do Doutor Teixeira Pinto e partiu rumo a França, onde desenhava modelos nus. Essa atitude empoderada inspira, após quase cem anos, coleção de vestidos e lenços lançados nesta quarta-feira (9) no Recife, às 19h, assinados pela artista visual Dani Acioli.

A partir de pesquisas sobre a obra de Tarsila, a pernambucana criou - “despretensiosamente”, ressalta Dani, que não intencionava criar coleção - quatro estampas com as formas curvilíneas e as cores tropicais da pintora modernista. As gravuras foram transformadas em vestidos e lenços, reproduzidos em quantidade limitada na linha Para Tarsila. Quando questionada sobre a escolha da modernista para inspirar o projeto, Dani Acioli explica que estava em busca de mais uma referência feminina para povoar seu universo artístico, voltado para o empoderamento da mulher. “Tarsila foi uma mulher aguerrida, intensa. Isso se traduziu, inclusive, nas cores usadas por ela. É uma estética muito tropical, brasileira, com formas curvilíneas”, analisa.

Dani assina quatro estampas, transformadas em vestidos e lenços. Foto: Andrea Rego Barros/Divulgação
Dani assina quatro estampas, transformadas em vestidos e lenços. Foto: Andrea Rego Barros/Divulgação


A pernambucana, que se declara “apaixonadíssima pelo trabalho de estamparia”, planeja persistir no ramo e, em breve, dedicar-se a coleções cimentadas na obra de outros ídolos. Usar o corpo como “suporte” para a arte tem sido, segundo Dani, a principal conquista dessa fase. “Ver as pessoas vestindo meus desenhos é incrível. É uma maneira de compartilhar meu trabalho que eu ainda não tinha realizado”, pontua.

>> ENTREVISTA: Dani Acioli
Como surgiu a ideia de criar coleção inspirada em Tarsila?

No meu trabalho, o universo feminino é recorrente. E ele nunca se esgota. Quanto mais desenvolvo as pesquisas sobre empoderamento, mais evidente é a necessidade de persistir no tema. O universo feminino precisa ser trabalhado, como um projeto panfletário mesmo, de dar força à mulher. Fui em busca de uma referência feminina que tivesse ligação com meu trabalho. E os desenhos surgiram dessa pesquisa despretensiosa. Tarsila foi uma artista forte, uma pessoa forte também. Ela se posicionava conforme aquilo em que acreditava. Ela se casou, se separou, foi à Europa, voltou, namorou, separou… Ela foi muito dona de si. Fez tudo o que fez simplesmente porque sentiu vontade de fazer. Sem amarras, cortando o que era projetado para as mulheres da época. Ela teve esse poder, a obra também.

Dani pretende continuar a trabalhar com estamparia. Foto: Andrea Rego Barros/Divulgação
Dani pretende continuar a trabalhar com estamparia. Foto: Andrea Rego Barros/Divulgação
E qual a sua identificação, como artista, com os traços dela?

Eu gosto muito desses traços arredondados. Ela privilegia as formas curvilíneas. Não sei se isso dá uma ideia de ingenuidade, essa coisa de arredondar os contornos, mas me passa a ideia de um desenho muito intuitivo, forte, marcante. Acho muito bonito. Ela tem um pé marcante no cubismo. A fase antropofágica dela é impressionante. Ela defendia essa inspiração, essa absorção da cultura de outros artistas. Não deixo de me ver nessa linha de pensamento. Vejo também traços que eu acumulo da minha vida, da minha história.

E como foi feita a coleção?
Os desenhos foram coloridos para virar estampa depois. A princípio, criei as figuras em preto e branco. Não pretendia desenvolver coleção. Eu já havia tentado desenvolver estampa com a figura de Iemanjá. Cheguei a escolher tecido… Minhas ilustrações têm aspecto legal para esse tipo de suporte, mas era um desejo que eu ainda não tinha realizado. Agora estou amando.

Pensa em dar continuidade ao desenvolvimento de estampas?
Sim. Estou apaixonadíssima. Já penso na possibilidade de outras estampas, inspiradas em outros artistas, em outros ídolos. Ver as mulheres “tarsilando” é massa. Usar as pessoas como “suporte” do meu trabalho é incrível. É uma maneira de compartilhar meu trabalho que eu ainda não tinha realizado.

SERVIÇO
Lançamento da coleção Para Tarsila, de Dani Acioli, com discotecagem de André Balaio e menu do chef Luli
Quando: 09 de dezembro, às 19h
Onde: Atelier Dani Acioli (Rua Dona Ada Vieira, 87, Casa Forte)



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