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Moda Estilista pernambucano Melk Z-da prepara exposição e une a moda às artes plásticas Pernambucano se divide entre croquis e telas, enquanto prepara a mostra Ruivas, para o início do ano que vem

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/09/2015 15:10 Atualizado em: 25/09/2015 16:28

No atelier, Melk produz croquis dos figurinos que vão às passarelas. Em casa, à noite, se dedica às telas da série Ruivas. Foto: Bernardo Dantas/DP/DA Press
No atelier, Melk produz croquis dos figurinos que vão às passarelas. Em casa, à noite, se dedica às telas da série Ruivas. Foto: Bernardo Dantas/DP/DA Press

Até onde a memória alcança, o estilista pernambucano Melk Z-da consegue ver a si mesmo, ainda pequeno, ouvindo histórias contadas - e desenhadas - pela mãe. Não havia narrativas exclusivamente orais: todas eram construídas com o apoio de uma folha de papel em branco e, pelo menos, um punhado de lápis coloridos. “Por isso, talvez, eu esteja aqui”, pondera o artista, se referindo ao ponto de intersecção atual da carreira: moda e artes plásticas se misturam em limbo de aquarelas, bordados, telas e croquis.

Uma pintura encomendada para a mostra Joanas, em comemoração aos 25 anos da Galeria Joana D’Arc, na Zona Sul do Recife, despertou no estilista o interesse adormecido por mesclar o melhor dos dois mundos. Agora, Melk Z-da se debruça sobre série de telas que, no início do ano que vem, dará origem à exposição Ruivas, em parceria com a Nuvem Produções - algumas já exibidas na feira ArtRua, este mês, no Rio de Janeiro. Expoente local do slow fashion, Melk Z-da está acostumado a nadar contra a corrente de coleções “descartáveis” da indústria da moda desde 2005, quando criou marca própria. Transformou as habilidades manuais em diferencial nas passarelas e, há alguns meses, passou a aplicá-las na produção de telas com, em média, um metro de altura.

Nas fotos, a sequência de produção de tela para a série Ruivas, ainda em construção. Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação
Nas fotos, a sequência de produção de tela para a série Ruivas, ainda em construção. Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação


“Primeiro, faço o desenho em tamanho reduzido, no papel. Depois de transferir o esboço para o quadro, uso aquarela e tinta acrílica para a pintura e, em seguida, costuro os bordados com as mesmas matérias-primas usadas nas roupas”, explica o estilista. As obras são produzidas à noite, após o expediente no atelier - onde as paredes, personalizadas, também levam assinatura dele.

A técnica usada nas séries Joanas e Ruivas, soma de desenho e alfaiataria, foi batizada de ilustra couture. Deve pautar as próximas coleções assinadas por Melk, após O cofo e a flor, seu recém-lançado Verão 2016. “A tendência é que moda e artes plásticas se misturem cada vez mais, em peças ainda mais autorais”, prevê o autor, que incluirá alguns vestidos na exposição do próximo ano, todos com transferência dos desenhos que estamparão as telas.

Melk Z-da presenteia, há anos, as clientes com croquis personalizados das roupas. Foto: Bernardo Dantas/DP/DA Press
Melk Z-da presenteia, há anos, as clientes com croquis personalizados das roupas. Foto: Bernardo Dantas/DP/DA Press


Apesar de oficializada há pouco tempo, a combinação entre arte e moda não é novidade para o estilista: todas as clientes são presenteadas com croquis das roupas feitas sob encomenda, que se transformam não somente em figurino, mas também em quadros. “Se existe uma inclinação às duas áreas, por que não misturar?”

>> DUAS PERGUNTAS: Melk Z-da, estilista e artista plástico

Foto: Nando Chiappetta/DP/DA Press
Foto: Nando Chiappetta/DP/DA Press
Apesar de antiga, a mistura entre moda e artes plásticas foi oficializada há pouco, com as séries Joanas e Ruivas. Por que agora?

Acho que há cinco anos, esse projeto não vingaria. Estou numa fase mais aberta a essa experiência, pessoalmente. E as ilustrações voltaram a ganhar reconhecimento. Nas primeiras filas dos desfiles, há ilustradores captando as tendências da passarela. Antes, isso estava ofuscado pelo digital, pela profusão de fotografias, imagens virtuais. O trabalho manual está ganhando novo espaço, isso encoraja o projeto.

Como planeja a exposição Ruivas?
Será no Recife, no início do ano que vem. Planejávamos para novembro, mas pretendo dar sequência à série em novas telas. Ainda não sei quantas serão. Tenho adorado desenhar ruivas. Me inspiro em conhecidas, em personagens, em referências reais e imaginárias. A mostra terá quadros e vestidos, estampados com os mesmos desenhos.



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