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Moda Sem ter o que vestir? Pernambucano Arlindo Grund dá dicas em novo livro. Confira Um dos estilistas pernambucanos com maior projeção nacional lança livro com dicas sobre como se vestir e mostra a influência do cinema na moda

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/08/2015 21:00 Atualizado em: 01/08/2015 17:40

Arlindo se tornou consultor de moda ainda no Recife, onde conviveu com a avó, Regina. Fotos: editora Planeta/Divulgação
Arlindo se tornou consultor de moda ainda no Recife, onde conviveu com a avó, Regina. Fotos: editora Planeta/Divulgação

Nos anos 1980, o jovem Arlindo se impressionava com a preocupação da avó, Regina, com a própria imagem. Ela era uma combinação de roupas elegantes e maquiagem cuidadosamente aplicada em frente ao espelho. Despertou a admiração de Arlindo e foi gênese do interesse dele pela moda.

Pernambucano radicado em São Paulo, o personal stylist publica neste mês o livro Nada para vestir, com eventos de lançamento programados em várias capitais do país, inclusive no Recife (sem data prevista), cidade natal. A primeira noite de autógrafos ocorreu em São Paulo, no dia 16 de julho.

Em menos de 200 páginas, Arlindo Grund - com mais de 87 mil seguidores no Facebook - promete ensinar as mulheres a aproveitar as peças que têm no armário, de preferência enxuto e versátil. O consultor de estilo e apresentador do programa Esquadrão da moda no SBT faz recomendações sobre quais partes do corpo valorizar e o que usar (ou não) em diferentes ocasiões.

Aponta uma observação cuidadosa das próprias medidas como o primeiro passo. Estabelece perfis (“triângulo invertido”, “fofinha”, “mulher-coluna”, etc.) e normas claras. Mas diz fugir às regras da beleza. “Regra é uma palavra forte. O que abordo é que fica muito mais fácil para a mulher comprar roupas, se ela sabe qual o tipo de corpo”, argumenta. Considera o código de dicas libertador. “Livra a mulher de certas tendências e modismos, que nem sempre ficam bons em todo mundo.”

>> ENTREVISTA

Que “vantagens” uma pessoa que sabe se vestir tem sobre quem ignora esse assunto, na sua opinião?

Na verdade, não acho que alguém ignore a moda completamente. Todo mundo se preocupa com a roupa que vai usar em um primeiro encontro, ou em uma entrevista de emprego... A vantagem de uma pessoa que entende de moda e usa a mesma a seu favor, é que trocar de roupa para eventos sociais não será um martírio e claro, a imagem que essa pessoa vai transmitir, será, certamente, mais interessante do que a de alguém que não dá importância à aparência. No mundo em que vivemos, imagem pode não ser tudo, mas é quase tudo.

Segundo o livro, o triunfo na tarefa de vestir-se bem parte de uma análise honesta de si mesma em frente ao espelho. Nessa hora, se basear em padrões de beleza não seria um desfavor à auto-estima/liberdade?
Mas quem falou em se basear em padrões de beleza? O que falo é que você tem que se desprender do pudor e analisar bem a sua silhueta em frente ao espelho. Só assim você saberá quais partes de seu corpo você deve disfarçar e, principalmente, aquelas que você deve valorizar. Cada ser é único, e qualquer pessoa tem características positivas e outras nem tanto. Isso é válido para todo e qualquer ser humano.

As dicas são acompanhadas de ilustrações didáticas. Foto: Editora Planeta/Divulgação
As dicas são acompanhadas de ilustrações didáticas. Foto: Editora Planeta/Divulgação
Como definiria as características mais marcantes da moda pernambucana? Há algo que somente as pernambucanas usem? Ou que elas simplesmente não consigam deixar de usar?

Acho que a descontração é uma característica da mulher pernambucana. Acho que precisamos começar a olhar um pouco mais para as rendas locais e produtos feitos à mão. Peças artesanais como as nossas, são super valorizadas no exterior. Precisamos valorizar os nossos artesãos!

Na despedida do livro, você diz que a moda serve para fazer as pessoas mais bonitas, mais felizes. Acredita que as mulheres se sintam escravizadas por ela?

Somente aquelas que se deixam escravizar. Conheço muita gente que ama a moda, vive da moda, mas mantém um relacionamento bem bacana e saudável com ela. Agora, quando você começa a se tornar vítima do que quer que seja, não é positivo.

Um ponto interessante no livro é questionar imposições. “Se você está acima dos 50 anos e tem pernas bonitas, por que não usa saias curtas?”, diz um capítulo. Acredita que um stylist também tem esse papel de - além de orientar as melhores opções para cada corpo e estilo - encorajar as mulheres a serem mais livres?
Sim, nós que trabalhamos com a moda precisamos encorajar as pessoas a quebrar paradigmas, desde que haja uma adequação aliada ao bom senso. O papel do stylist é filtrar aquilo que tem de melhor e que vista sua cliente atingindo um objetivo predeterminado.

O jogo de vela-revela, de onde surge esse conceito? O que prega, em linhas gerais?
Esse “jogo” surgiu a partir da necessidade de informar a mulher brasileira que a sensualidade já está presente em seu DNA e que, visualmente, a produção pode ficar mais bonita, quando você esconde determinadas partes do corpo e mostra outras. Nu, ninguém passa mensagem alguma, já com as roupas certas, a interpretação de sua mensagem, com certeza, será transmitida com sucesso. Então, brincar de velar e revelar, é a melhor saída para que seu look não caia na vulgaridade.

>> DICAS
O livro é dividido em dois grandes blocos: “você, pessoa física” e “você, pessoa jurídica”, com dicas a respeito dos trajes e traquejos adequados a cada ocasião. As ilustrações da obra são de Julia Flohr.

As ilustrações do livro são de Julia Flohr. Fotos: Editora Planeta/Divulgação
As ilustrações do livro são de Julia Flohr. Fotos: Editora Planeta/Divulgação

VESTIDO PRETO

O preto mescla glamour, feminilidade e requinte na medida certa. Da versão “pretinho básico” às mais longas, de festas black-tie, é peça essencial para um armário versátil. “Dificilmente uma mulher fica deselegante usando um longo preto bem-cortado, com tecido luxuoso, adornado com os acessórios certos”, diz o stylist. E cita as protagonistas dos filmes Gilda (1946) e Bonequinha de luxo (1961).

BOLSA MÉDIA
Logotipos exagerados e bolsas grandes demais prejudicam elegância. O ideal é manter duas bolsas: uma para maquiagem, carteira, celular e necessáire. Outra para notebook, canetas e papéis. Os modelos de tamanho médio, com alças curtas, harmonizam bem com quase todos os tipos físicos e, por isso, são ideais.

BLAZER
Os “jaquetões” ficam bem nas mulheres e transmitem autoridade. O blazer perfeito é acinturado, com abotoamento simples, na altura da metade do quadril. “Valem os de lapela tradicional, sem lapela ou mesmo os de gola xale, que é mais sofisticada e elegante”, aconselha Arlindo.

ACESSÓRIOS
Pulseiras não devem fazer barulho e brincos não podem roubar a cena. Bijuterias étnicas e artesanais não combinam com looks formais. Arlindo recomenda evitar plástico colorido, acrílico, conchas, dentes de tubarão, ossos e madeira. Melhor ter menos peças e investir em metais nobres (ouro e prata).

SERVIÇO
Nada para vestir
Editora Planeta, 192 páginas
R$ 35,90



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