DFB 2018 Dragão Fashion: símbolo da moda autoral cearense, Lindebergue questiona padrões Estilista cearense integra line-up do Dragão Fashion Brasil desde os primeiros anos do evento, sendo sempre um dos mais aguardados nas passarelas locais

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 11/05/2018 18:41 Atualizado em: 11/05/2018 18:44

Palavras-chave do manifesto de Lindebergue e ilustrações lúdicas de órgãos genitais estamparam as malhas nas passarelas do DFB. Fotos: DFB/Divulgação
Palavras-chave do manifesto de Lindebergue e ilustrações lúdicas de órgãos genitais estamparam as malhas nas passarelas do DFB. Fotos: DFB/Divulgação

Fortaleza (CE)
– Lindebergue Fernandes, firmado aos 41 anos como um dos símbolos da moda autoral cearense, é sempre um nome em relevo na programação do Dragão Fashion Brasil, do qual participa desde os primeiros anos de evento. Temporada a temporada, transforma a passarela em palco de protestos, manifestos, rompimentos, reflexões. Na última década, sua inquestionável criatividade ganhou tons políticos, sociais: deu à luz modelos com narizes de palhaço ao som de Sociedade alternativa (Raul Seixas) e releituras do vestuário clérigo. Neste ano, Lindebergue questionou – e dissolveu – padrões. 

Exibidas em corpos não-padronizados entre si, as peças da coleção Amor Próprio transmitiram de forma contundente sua mensagem: “Eu quis fazer uma moda democrática, a passarela é lugar de manifestação”, declarou. Satirizando a moda e a beleza “comerciais”, o estilista falou sobre pessoas e para pessoas, abrindo mão – com convicção e como se esperava - de um desfile pautado por tendências de mercado. 

Materiais plásticos e transparências contribuíram para revelar os indivíduos por baixo das roupas e questionar a rigidez de padrões, enquanto ataduras e plásticos filme envolviam as cabeças de alguns participantes da performance. Ilustrações lúdicas de órgãos genitais deram tom de humor e mais vigor ao manifesto, enquanto palavras e frases-chave estamparam as malhas. “Amor”, “amor próprio” e “contém gente” se impuseram na passarela como bandeiras, convites à auto-aceitação e à aceitação do Outro. 

A participação especial do coletivo As Travestidas enriqueceu a performance com diversidade de cores, formas, orientações sexuais e identidades de gênero. A comunhão entre os artistas e o estilista lançou luz, ainda, sobre o viés cultural da moda – aquele que reconhece o segmento, recorrentemente diminuído como “futilidade”, como parte da cultura popular. E não foi a primeira intersecção entre o trabalho de Lindebergue e o do grupo: no desfile de Primavera/Verão 2015/2016, camisetas usadas pelos membros do As Travestidas cruzaram a passarela do DFB durante desfile assinado por Lindebergue. Em 2018, a potente voz de Cher – em Believe – encerrou a performance do casting escolhido pelo cearense, mais uma vez aplaudido de pé.

A repórter viajou a convite da organização do Dragão Fashion Brasil














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