Moda Edição Primavera-Verão 2019 do Minas Trend aguça visão, tato e audição Cerca de 60 modelos adentram à passarela com looks formados com peças das marcas que participaram do salão de negócios do evento

Por: Aline Ramos

Publicado em: 28/04/2018 07:00 Atualizado em: 07/05/2018 13:34

 "Nosso Lugar Somos Nós" foi o tema desta edição. Foto: Agência Fotosite/Divulgação
"Nosso Lugar Somos Nós" foi o tema desta edição. Foto: Agência Fotosite/Divulgação

As luzes se apagam. De repente, um som ecoa vindo da Orquestra de Câmara e bailarinos da Cia. de Dança do Sesiminas, vestidos com figurinos de Lucas Magalhães, começam a dar forma ao cenário do desfile de abertura da edição Primavera-Verão 2019 do Minas Trend, que teve como tema "Nosso Lugar Somos Nós". Cerca de 60 modelos adentram à passarela com looks formados com peças das marcas que participaram do salão de negócios do evento, que em sua 22ª edição teve como inspiração o sertão mineiro das regiões Norte e Nordeste.

As fortes figuras femininas despertaram a criatividade do stylist Paulo Martinez, que misturou com maestria texturas e cores. Os bordados da moda festa, típicos do mercado mineiro, complementaram as peças contemporâneas que começam a despontar no estado. Linho, tramas e recortes deram força à imagem de moda proposta. A gradação de cores terrosas, pasteis, intensas e escuras proporcionaram equilíbrio à passarela.

A cantora Bruna Caram foi a responsável por arrematar a noite cantando "Sagarana", música do repertório de Clara Nunes que fala sobre o buriti, palmeira alta que só floresce em lugar que tem água limpa e solo bom, e é um símbolo forte do Sertão. Toda a composição só anunciou o amor e o respeito que o sertanejo mineiro tem pela natureza. Depois da visão e da audição serem aguçadas, foi a vez de permitir o toque nas peças que compuseram toda a temática. Os looks ficaram expostos no centro da feira de negócios durante os cinco dias de eventos, com início no último dia 16 e que seguiu até o dia 20. Para quem é admirador da moda, um deleite. Para quem estava ingressando no mundo fashion, um aprendizado.

Nos dias que se seguiram, doze marcas apresentaram suas coleções. Entre os destaques, a veterana da feira de negócios, Fátima Scofield, que estreou na passarela do Minas Trend desconstruindo seu DNA composto por peças estruturadas. Para a oportunidade, a marca mostrou roupas fluídas, com um toque setentista e quase tudo em seda. O destaque ficou para um vestido que praticamente dançava, enquanto a modelo caminhava com seus 15 metros de tecido e acabamento impecável.

Grife veterana no line up da semana de moda mineira, Natália Pessoa se inspirou na coragem e vanguarda de Dora Vivacqua. Mais conhecida como Luz Del Fuego, Dora foi atriz, escritora, naturista e feminista. Destacou-se na contribuição na luta pela emancipação das mulheres. Amestrou serpentes e estreou no Teatro de Revista, com espetáculo de dança em que aparecia com as cobras enroladas pelo corpo. Por conta dessa característica, o selo resolveu apostar pela primeira vez em formas fluídas e de muito movimento. Já as franjas aplicadas nos vestidos simulavam cobras no corpo das modelos.

Além de criar os looks para os dançarinos na noite de abertura, Lucas Magalhães encantou com seu Verão 2019, guiado pela afetividade das relações pessoais e movido pela busca de uma moda própria, com vontade de dialogar e se conectar, inspirada na intensa troca de cartas entre os artistas modernistas. Nesta temporada, o fashion designer se uniu a seis marcas para lançar uma coleção construída de forma colaborativa, com imensa troca de experiências e ideias. A camisaria foi feita em parceria com Valéria Mansur; as calças nasceram de uma collab com a marca paulista Ateliê de Calças; já as bijoux foram criadas por Mariah Rovery e sua Flexjewel; a Lucchetto, pela segunda vez, desenvolveu as bolsas desejo da marca; os sapatos femininos foram assinados por Paola Fabris e os tênis masculinos da marca italiana Superga, customizados especialmente para Lucas.

Roupas fluidas foram alguns dos destaques desta temporada. Foto: Agência Fotosite/Divulgação
Roupas fluidas foram alguns dos destaques desta temporada. Foto: Agência Fotosite/Divulgação
Batizada de Saramandaia, a coleção da Molett nasceu da antropofagia de Oswald de Andrade, de rituais de culturas de povos ancestrais. Transferidos numa linguagem fashion, a estilista Bárbara Monteiro, se utilizou de uma grande variedade de materiais, que se transformaram em chapelões de crochê, clochard, impermeáveis, oversize, muitas listras e a malharia que fez sua fama. O resultado trouxe uma pegada agênero e uma bossa brasileira sem clichês.

A Virgílio Couture mostrou que mais é mais. A marca misturou estampas de oncinha com xadrez, bordados de onça em paetê. Cores como o rosa, amarelo e laranja se misturavam  umas as outras. Inspirado no punk mais pela via da atitude rebelde do que pelos seus códigos estéticos literais, Virgílio costura tudo isso de maneira atrevida, incluindo o capacete do trabalhador de chão de fábrica no look da madame. Resgatou modelagens e reformulou ideias de suas coleções passadas mostrando que inovar em cima do que já temos é a chave!

Já a Plural trouxe cores, muitas cores para a passarela. Foi de encher os olhos! Azul, vermelho, amarelo, esbanjaram alegria no Minas Trend. A inspiração foi o construtivismo e concretismo. Formas geométricas e abstratas transformaram-se em estampas e modelagens. Os acessórios utilizados foram de Carlos Penna em mais uma colab com a marca e os sapatos do Estúdio NHNH.

O mineiro Fábio Costa, ex-participante da 10ª temporada do reality show “Project Runway” de Heidi Klum e Tim Gunn, mostrou porque foi um dos vencedores do programa.  Ele ficou em segundo lugar, mas no Minas Trend, se tivessem colocações, ele seria um forte candidato ao primeiro. Inspirado na loucura humana, Fábio apresentou na sua NotEqual peças com estamparias que remetem a psicodelia, além de apresentar cores intensas e suaves. Visando a desconstrução de pensamentos, o acabamento seguiu este rumo. Propositalmente, as barras das roupas eram desfiadas.  A NotEqual resumiu bem o que é um overside chic. 

Para antecipar as comemorações dos seus 25 anos em 2018, a Skazi organizou um verdadeiro show, que contou com a atriz Juliana Paes como modelo e Ludmilla cantando ao vivo fazendo a trilha sonora do desfile, que foi disputadíssimo pelo público. A grife apresentou uma moda arrojada com coletes longos, calças soltas, vestidos usados com calça por baixo. Trajes de princesa com bordados e traços delicados não foram a opção da Skazi.

Para investir
Os acessórios maxi dominaram a feira e os desfiles. Isso mostra que um brincão ou um colar divo pode ser o protagonista da produção.

Beleza
O responsável por pensar nos cabelos e makes das modelos foi Ricardo dos Anjos. Em conversa no backstage, ele nos contou que vale apostar em iluminadores, cremes e óleos para dar um ar mais suave e natural. “E lembre-se, use o que é bom para você, para sua pele, para você ficar bonita. Ás vezes, a mulher opta por fazer a mesma maquiagem da amiga, mas deve saber que o que pode ficar legal nela, não necessariamente vai ficar bom em você. Se conheça!”, afirma. Para os cabelos, o aspecto molhado é uma boa pedida.
 


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