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Sustentabilidade Chiara Gadaleta e o seu chamado na moda sustentável Em sua busca pelo novo, a stylist e consultora de moda redescobriu sua existência e uma nova forma de consumo

Por: Aline Ramos

Publicado em: 07/03/2018 07:34 Atualizado em: 12/03/2018 12:36

Para celebrar os 10 anos do Ecoera, Chiara lançou plataforma online com conteúdo, serviços e produtos. Foto: Arquivo Pessoal
Para celebrar os 10 anos do Ecoera, Chiara lançou plataforma online com conteúdo, serviços e produtos. Foto: Arquivo Pessoal

Inquieta. É assim que se autodeclara, Chiara Gadaleta. Atuante na indústria da moda há 25 anos, a stylist carrega na bagagem uma breve, porém exitosa, carreira de modelo. A italiana natural da cidade de Nápoles veio para o Brasil ainda na infância e trouxe consigo as referências e o encanto por trabalhos manuais, semente plantada por sua mãe e sua avó materna.

Chiara foi uma das primeiras mulheres a disseminar no Brasil o visual vintage com tecidos antigos que se transformavam em caftãs e peças garimpadas em brechós. Após modelar mundo afora, ela fincou raízes em Paris por cinco anos, onde estudou no Studio Berçot, aprimorando ainda mais seu senso estético. Há 13 anos, já de volta em terras brasileiras, ela fundou a Tarântula, marca de roupas, acessórios e itens para casa que carregavam uma identidade étnica, gipsy e natural.

“Quando eu voltei para o Brasil em 1997, eu comecei a trabalhar na Vogue como stylist e diretora criativa dos desfiles. Depois de tudo isso, nasceu a Tarântula. Foi muito legal, porque eu já tinha conhecimento de todo processo do mercado da moda, só faltava ser empresária. Foi aí que eu descobri como a moda estava distante das questões ambientais. Na verdade, isso se transformou num chamado. Eu me deparei com uma missão: a de integrar os mercados de moda e beleza às questões ambientais”, revela.

Este foi o ponto de partida do Ecoera, projeto encabeçado por Chiara, que deu voz ao consumo consciente e à sustentabilidade. “Foi um momento onde os astros se alinharam nessa mudança. Então, eu tive que abandonar aos poucos a minha forma de operar na época, porque eu tinha clientes que não possuíam conexão alguma com essas questões ambientais. Eram eles quem pagavam minhas contas. Depois de uma carreira de 15 anos, eu tive que começar do zero. Tive a sorte de ter uma estrutura familiar naquele período, que me proporcionou iniciar essa jornada. Eu já estava muito envolvida e preocupada com a questão do descarte têxtil. O planeta estava pedindo socorro e eu precisava fazer esta voz ecoar”, enfatiza.

Mais do que um modismo, uma nova forma de vida

"Quando eu conheci a floresta amazônica, meu mundo se abriu. Eu tive a sensação que passei para uma outra etapa da vida", Chiara. Foto: Arquivo Pessoal
"Quando eu conheci a floresta amazônica, meu mundo se abriu. Eu tive a sensação que passei para uma outra etapa da vida", Chiara. Foto: Arquivo Pessoal

Antes mesmo do termo moda sustentável tornar-se popular, Chiara Gadaleta já se debruçava sobre o tema e trabalhava na divulgação do consumo consciente. “Posso dizer que, depois de 10 anos, hoje podemos falar sobre esse assunto com bastante tranquilidade. Nós pesquisamos e ajudamos a criar junto com diversas marcas formas de transformar seus produtos em peças sustentáveis, como por exemplo, um óculos feito em madeira, uma camiseta fabricada com produto orgânico. No início, eu comecei a fazer um mapeamento para provar que existem soluções e que não era uma loucura da minha cabeça. Tem como ser sustentável, sim! Isso já existe há muito tempo na Alemanha, Inglaterra, Áustria, Noruega. Mas aqui, cadê?”, questiona.

Para dar o caminho das pedras para quem busca informações sobre essa cadeia fashion consciente, a consultora de moda lançou, no fim de 2017, a primeira plataforma online que reúne conteúdo, serviços e produtos sustentáveis. Além do guia de serviços, a cada compra, o consumidor poderá neutralizar sua emissão de CO2 e até apoiar uma organização do terceiro setor. “Os consumidores da nova era estão interessados não só no ato da compra, mas em como a aquisição de um serviço ou produto pode ajudar a sociedade e o planeta”, conta. O portal neutraliza suas emissões de CO2 em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e conecta doadores e entidades sem qualquer custo para ambos os lados.

Com uma curadoria liderada por Chiara em parceria com um time de especialistas, o portal Ecoera também funciona como um selo de legitimidade e procedência. “O consumidor se sentirá seguro e próximo às marcas e projetos que tenham uma relação verdadeira com as questões sociais e ambientais. Nós estamos muito contentes e satisfeitos com o resultado, porque estamos disponibilizando mais uma ferramenta para que a gente consiga unir marcas que tenham essa consciência ambiental ao consumidor que busca isso”, acrescenta.

O Ecoera foi estruturado em quatro seções: 1) Impacte Positivamente, com dicas simples e práticas de como melhorar hábitos rotineiros ou de como aderir a causas importantes; 2) Guia, onde são encontrados serviços como estabelecimentos, eventos ou profissionais mais próximos do endereço do interessado; 3) Consumo Consciente, mostra produtos sustentáveis de moda, beleza, gastronomia e design; 4) News, espaço onde são reproduzidos notícias, vídeos e imagens ligadas a atividades sustentáveis.

“Quando me perguntam quanto tempo levou para a plataforma ficar pronta, eu suspiro e digo, 10 anos, porque foi muita luta para chegarmos a esse resultado. Eu levei um susto no ano passado, quando a gente começou a fazer os cadastros. Achei que teríamos umas 50 marcas e me surpreendi. Além de tudo, é um espaço de pesquisa. São cinco regiões diferentes do país. E isso é a prova dessa transformação de consciência”, pontua.

Mais do que uma mudança de hábito, a busca por melhorar o meio ambiente resultou numa mudança interior em Gadaleta. “Hoje eu sou uma outra pessoa. Na realidade, eu já estava buscando essa Chiara. Desde criança, eu sempre fui muito sensível com várias questões, muito inquieta. Quando eu conheci a floresta amazônica, meu mundo se abriu. Eu tive a sensação que passei para uma outra etapa da vida. Passei a observar ainda mais as questões humanas, o que despertou ainda mais a minha sensibilidade. E, hoje, eu tenho o maior prazer em dizer que estou trabalhando com uma tribo indígena do Pará. Estamos envolvidos com a parte social das comunidades ribeirinhas e isso me dá muita esperança”, declara.

Questionada se a solução para uma moda sustentável é diminuir o consumo, ela ressalta: “Não quero parar de comprar. O portal serve para isso, inclusive. É impossível parar de consumir. Mas estamos falando de consumir de forma engajada e responsável”.

Seja um agente

1- Em vez de gastar comprando várias peças de roupas, guarde dinheiro para adquirir uma peça mais cara, porém de melhor qualidade que vai durar por mais tempo e tem um caimento melhor.

2- Outra forma de ser sustentável é doar as peças que você não utiliza mais. Não as jogue fora! Muitos materiais não podem ser reciclados e levam anos para se decompor. Além disso, com certeza alguém está precisando de um agasalho ou de uma peça de roupa.

3- Frequente brechós. Tem tanta coisa linda, de excelente qualidade, esperando para ser usado por alguém e a preços bem acessíveis. Ah! E antes de serem vendidas, as peças sempre são higienizadas devidamente.

4- Invista em marcas autorais. O Slow fashion é um movimento na moda que busca uma produção em menor escala, maior sustentabilidade e preocupação com os impactos causados ao planeta. Ele incentiva que nós tenhamos maior consciência do que estamos comprando, de onde vem, como foi feito, incentiva a valorização do profissional, de marcas autorais e da própria peça, já que no fast fashion o foco é simplesmente vender e faturar.

ECOERA
Site: www.portalecoera.com.br
Facebook: portalecoera
Instagram: @portalecoera


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