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New York A vez das abayas: túnicas dominam incomum e recatado desfile em Nova York Estreia da estilista Vivi Zubedi nas passarelas da NYFW foi marcada por abayas e mirou no mercado de moda mulçumana

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 21/02/2018 16:26 Atualizado em: 19/02/2018 14:21

A performance foi a estreia de Vivi Zubedi na Semana de Moda de Nova York. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP
A performance foi a estreia de Vivi Zubedi na Semana de Moda de Nova York. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP


A estilista indonésia Vivi Zubedi estreou na Semana de Moda de Nova York e cativou o público com sua coleção composta apenas por túnicas, esperando capitalizar no recente mercado da moda recatada e muçulmana. Em setembro, Zubedi havia mostrado algumas de suas peças em um desfile conjunto na NYFW com outros estilistas de seu país. Ela se saiu tão bem que, desta vez, embarcou sozinha para Nova York com a meta de multiplicar os negócios.

"Estou muito animada!", riu Zubedi nos bastidores após ser abraçada por familiares e amigos, e depois de tirar selfies com estilosos blogueiros de moda que admiram seu estilo islâmico moderno, embora não sejam muçulmanos. "Tenho um monte de clientes aqui", contou com um sorriso.

As túnicas 'miram' no público religioso que procura opções de figurino. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP
As túnicas 'miram' no público religioso que procura opções de figurino. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP


As modelos desfilaram com abayas em estampas batik, em veludo preto e azul profundo, véus com pérolas bordadas nos extremos e bonés de beisebol colocados sobre os hijabs. Os cabelos das modelos não eram vistos e até as mãos estavam cobertas por luvas de couro, ou ao menos por mangas largas de renda. A peça emblemática de Zubedi é a "abaya", túnica larga e comprida - até os pés - que as mulheres obrigatoriamente devem vestir na Arábia Saudita, e que foi adotada pelas muçulmanas mais religiosas em outros países.

Mas o look de Zubedi difere muito de um grande traje preto. Seus tecidos luxuosos, cheios de cristais, com pérolas bordadas no pescoço e nas mangas, e com babados são um encontro da tradição com o hip hop. E, por cima, uma ousada jaqueta preta de couro com zíper.

A marca da estilista Zubedi leva seu nome e foi criada em 2011. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP
A marca da estilista Zubedi leva seu nome e foi criada em 2011. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP


>> Espetacular

"Acho que o desfile foi espetacular", disse a blogueira e estilista de moda Dyandra Raye à AFP. "Usaria todas! Sou super dramática!". A escritora de moda Kristen Martin, uma das várias convidadas do desfile, também ficou encantada. "Me fascinou totalmente", disse Martin à AFP. "Acho que é muito importante aceitar outras culturas". Desde que Zubedi fundou a marca que leva seu nome, em 2011, a moda modesta, designada para a mulher muçulmana religiosa, com dinheiro e moderna, ganha terreno em um momento em que os estilistas estudam o potencial consumidor das comunidades conservadoras no mundo.

A Dolce & Gabbana já produziu uma coleção de hijabs e abayas. Em 2016, a Burberry fez sua primeira coleção para o Ramadã, tal como DKNY, Tommy Hilfiger, Oscar de la Renta e as gigantes espanholas Zara e Mango. A japonesa Uniqlo também entrou neste mercado. Na quinta-feira, a grande loja americana Macy's começará a vender um amplo leque de roupas recatadas que inclui vestidos, blusas e hijabs, criados para uma mulher que tem dificuldades de encontrar roupas depois de se converter ao Islã.

Após seu desfile conjunto na NYFW de setembro, Zubedi disse que atraiu clientes de Dubai, Hong Kong e Estados Unidos. E a sua próxima ambição é abrir uma loja para clientes estrangeiros, que atualmente só podem comprar suas criações on-line. "De qualquer lado, mas fora da Indonésia", disse a designer, que trabalha em Jacarta. "Em um grande depósito seria perfeito!".

Com a apresentação, Zubedi (foto) atraiu clientela em Dubai, Hong Kong e nos Estados Unidos. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP
Com a apresentação, Zubedi (foto) atraiu clientela em Dubai, Hong Kong e nos Estados Unidos. Foto: Fernanda Calfat/Getty Images/AFP



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