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Luxo Valdemar Iódice: "Eu não vendo roupas, vendo desejos" Com mais de 30 anos no mercado da moda, a Iódice conta com seu maestro e fundador, Valdemar Iódice, que continua à frente da marca regendo todo o processo criativo

Por: Aline Ramos

Publicado em: 23/01/2018 12:00 Atualizado em: 23/01/2018 09:14

A Iódice é presença assídua desde a primeira edição da maior semana de moda do país, a São Paulo Fashion Week. Foto: Iódice/Divulgação
A Iódice é presença assídua desde a primeira edição da maior semana de moda do país, a São Paulo Fashion Week. Foto: Iódice/Divulgação

O interesse por descobrir formas, cores e tecidos começou ainda na infância de Valdemar Iódice. Aos 10 anos, o paulistano observava todo o processo de criação de sua mãe, que fazia roupas sob medida. Mesmo sendo de São Paulo, o fashion designer teve uma vivência muito forte com suas raízes italianas, já que sua avó paterna ficou viúva e saiu da Itália com seus outros filhos para morar na casa de Valdemar. “Todo esse universo, me levou a priorizar trabalhos manuais e a ter um gosto mais apurado pelas coisas e pela própria tradição familiar. Isso cooperou muito na minha carreira profissional e no meu olhar para a moda”, afirma.

Por volta dos 25 anos, o estilista foi trabalhar na fábrica de camisas de um de seus tios, onde ficou responsável pelo desenvolvimento de produtos, desde a busca pela matéria-prima até a facção. “Esse foi o pontapé inicial para despertar, o desejo de começar algo meu. Após alguns anos, criei a Iódice. Comecei com malharia, fazendo camisetas para meus amigos e o negócio foi expandindo. Depois começamos a distribuir para magazines. Em 1987, fui com a família passar o réveillon em Manaus e levei a lista de clientes que trabalhavam com a marca e eu fiquei decepcionado, porque eu não sabia onde minhas peças estavam sendo vendidas. Foi aí, que eu reformulei o conceito da Iódice. Passamos para o jeans e prêt-a-porter premium sofisticado”, relembra.

Desde então, suas criações ganharam mercado e o negócio se tornou uma grande empresa de moda. “Abri um escritório em Nova York e outro em Los Angeles. Estávamos vendendo na Sax e em outras grandes marcas. Mas, veio a crise em Nova York e achei melhor recuar e investir na ampliação no mercado brasileiro”, conta. Hoje a lódice, é uma das mais importantes grifes brasileiras, se diferencia pelo cuidado com o desenvolvimento das coleções, design das peças e pela sofisticação do trabalho manual. “A evolução é constante. Eu tenho a necessidade de oferecer peças atuais.  Eu me inspiro muito na moda parisiense. Pelo capricho no acabamento, da modelagem. E o que é belo, é belo em qualquer lugar do mundo e eu procuro oferecer o belo”, crava.

A silhueta é o ponto de partida para as criações de Valdemar. “A Iódice tem uma alma. A marca é para uma mulher urbana, moderna, contemporânea e sofisticada. Sempre fui fiel a esta mulher, agregando valores com cores, novas estampas, modelagens atuais. Mas sem deixar de lado, as formas tradicionais”, revela. Em 1991, as peças saíram das ruas para ganhar às passarelas. O primeiro desfile foi realizado no Estúdio Cinematográfico Adrenalina em São Paulo e contou com a participação da modelo Cláudia Liz.

Após essa experiência, a marca viveu um momento de expansão, a primeira loja da Iódice foi inaugurada no Shopping Iguatemi em 1998. Em 2001, a grife ganhou sua Flagship, na conceituada Rua Oscar Freire, em São Paulo. Recentemente, a grife inaugurou sua primeira loja em Pernambuco. A unidade fica no shopping Riomar, na Zona Sul do Recife. No Brasil, a marca está presente em 300 das principais lojas multimarcas, conta também com 14 lojas, entre próprias e franquias, além de mais de 150 colaboradores.

"Eu vou contar um segredo, quando eu estou montando uma coleção, eu sou a pessoa mais insegura da face da terra. Aí, quando vejo a coleção tomar forma com os primeiros looks, me tranquilizo". Foto: Iódice/Divulgação
"Eu vou contar um segredo, quando eu estou montando uma coleção, eu sou a pessoa mais insegura da face da terra. Aí, quando vejo a coleção tomar forma com os primeiros looks, me tranquilizo". Foto: Iódice/Divulgação

A Iódice é presença assídua desde a primeira edição da maior semana de moda do país, a São Paulo Fashion Week (SPFW). “Sempre que a gente termina um desfile, eu já fico pensando no que eu vou apresentar no próximo. Eu vou contar um segredo, quando eu estou montando uma coleção, eu sou a pessoa mais insegura da face da terra. Aí, quando vejo a coleção tomar forma com os primeiros looks, me tranquilizo. E quando as peças chegam à passarela estão plenas. Eu as enxergo dessa forma. Eu sinto que vai dar certo. É tudo tão envolvente. Porque não só são as roupas, é a música, o espaço, a decoração, que vai compor toda a apresentação da coleção. Eu fico até emocionado em poder vivenciar tudo isso para oferecer o melhor em cada apresentação”, revela.

Com mais de 30 anos à frente da Iódice, o fundador e diretor-criativo do selo não abre mão de vivenciar todo o processo de produção. “Eu sempre tive a preocupação de não deixar que a identidade da Iódice fosse alterada. Claro, que eu acho muito importante ter ao nosso lado pessoas criativas e que valorizam a marca. No entanto, eu gosto de participar de tudo. Desde a escolha da marca, das modelistas que vão desenvolver as peças, piloteiras, até o marketing. Para os desfiles, sempre gosto de trabalhar com stylists que entendam o fundamento da Iódice e que me entendam também. Eu acho que eu sou o grande maestro disso tudo. Eu me envolvo em tudo, inclusive para montar as vitrines. Sou de checar, opinar na montagem de todas elas. Eu amo muito o que faço, porque eu não vendo roupa, eu vendo desejos”, pontua.

O trabalho de Valdemar conquistou o interesse do filho Alexandre, que junto com seus irmãos e a mãe, ajudaram a consolidar ainda mais a grife de moda feminina. Questionado se tem algum arrependimento em relação a marca nessas três décadas, Valdemar responde sem hesitar: “Arrependimento? Nenhum. Se eu for pensar na minha vida, no meu trabalho, na minha família, eu só tenho a agradecer”. Aos 68 anos, o regente da Iódice nem pensa em parar. “Quem se aposenta morre! Quero continuar trabalhando e fazendo o que eu amo”, finaliza aos risos.

NOVAS COLEÇÕES
VERÃO 2018 - Para a temporada mais quente do ano, a grife resgatou a mulher sexy e feminina que sempre esteve presente no DNA da marca, mas que surge de maneira nada óbvia. A Iódice misturou cores e estampas em vestido leves e assimétricos, que envelopam o corpo e se fundem a plumas e paetês.

INVERNO 2018 - Para o inverno, o selo se inspirou no Peru para compor peças que unem muitas cores e geometria. O tradicional gorro peruano também chega para complementar os looks da Iódice.


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