Moda

O mundo da moda perde o estilista Azzedine Alaïa

Alaïa ficou conhecido nos anos 1980 como uma figura da moda em Paris

Alaïa sonhava no início de sua carreira em ser escultor. Foto: Reprodução/Internet

"É um designer de grande talento que nos deixa. O conhecia por seu trabalho. É uma notícia muito triste", disse à AFP o também estilista Pierre Cardin. "Pequeno em altura, mas imenso na moda. Adeus Azzedine Alaïa", reagiu o ícone da moda francesa Inès de la Fressange, no Twitter. A galerista italiana Carla Sozzani, amiga muito próxima do estilista, também confirmou a sua morte à revista Women's wear daily, considerada uma 'bíblia do mundo da moda'.

Contra as imposições

Discreto e sempre vestido com trajes de corte asiático, tinha o privilégio de poder dispensar a publicidade. Os seus escassos desfiles aconteciam em seu ateliê no bairro parisiense do Marais. "Amo as mulheres (...). Nem sempre penso nas novidades, em ser criativo, mas sim em fazer um vestido para que as mulheres sejam belas", explicou o estilista em uma entrevista à AFP em 2013, quando o museu Galliera, em Paris, dedicou-lhe uma retrospectiva.

Alaïa criava suas peças em três dimensões, fazendo pouco uso do desenho. Trabalhava muito a medida na alta-costura, mas também fazia muito prêt-à-porter, esquivando-se das imposições de renovação sistemática a cada temporada. Além disso, chegou a apresentar o mesmo vestido "que não sai de moda" por dois anos seguidos. "Com ele, tudo estava no mais alto nível: a costura, a arte, o exigência, o trabalho, reconhecimento e todas as mulheres a quem vestia. Era um artesão no sentido nobre da palavra e um homem que se firmava em sua liberdade", disse sobre ele François-Henri Pinault, presidente do grupo francês de luxo Kering. O estilista nasceu na Tunísia em 1940, que costumava brincar a respeito de sua idade. "Tenho a idade dos faraós. As datas apagaram (no documento)", dizia.

Naomi Campbell e Michelle Obama

Estudante de escultura na faculdade de Belas Artes da Tunísia, esse filho de agricultores começou a trabalhar para um costureiro do seu bairro. Em Paris, onde chegou no final dos anos 1950, trabalhou brevemente para a Dior e Guy Laroche. Pouco a pouco foi ampliando a sua lista de clientes, das quais se tornou confidente. Uma delas o apresentou a atriz francesa Arletty, uma de suas musas. Também conheceu Greta Garbo.

O designer contribuiu para definir a silhueta feminina nos anos 1980, definitivamente sexy, inventando o 'body', as malhas justas, as saias com zíper nas costas, modelos que foram sempre copiados. As estrelas o disputavam, como Grace Jones, que posou com as suas criações para o fotógrafo Jean-Paul Goude, ou a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. O seu último desfile aconteceu em julho e Naomi Campbell, protegida pelo estilista, a quem chamava carinhosamente de "papai", abriu o espetáculo.

Leia a notícia no Diario de Pernambuco