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Livro Pernambucana lança livro sobre moda e desmistifica tema: 'não tem nada de fútil' Jornalista e consultora de moda do estado lista tendências de comportamento e referências de estilo do século 19 à atualidade, analisando como as ruas 'venceram' as passarelas a partir dos anos 1990

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 03/10/2017 18:11 Atualizado em: 03/10/2017 17:47

De Madonna a Amal, a autora pernambucana lista referências de moda ao longo das décadas. Fotos: Reprodução da internet
De Madonna a Amal, a autora pernambucana lista referências de moda ao longo das décadas. Fotos: Reprodução da internet

Em que momento a influência das ruas sobre as passarelas passou a ser mais poderosa do que a influência das passarelas sobre as ruas? Investigar a resposta é um dos principais êxitos do livro Estilo e atitude: reflexos da moda do século XIX ao século XXI (Editora Labrador, 232 páginas), assinado pela jornalista e consultora de imagem pernambucana Mônica Ayub e dedicado a esclarecer as conexões entre a moda, a história e a sociedade de cada época, da Era Vitoriana aos dias atuais. Com lançamento marcado para 4 de outubro, na Livraria Cultura do Shopping RioMar, na Zona Sul do Recife, o livro abre mão do termo “fashion” e de quaisquer outros possíveis clichês associados ao mundo da moda, cumprindo a importante missão de lançar luz sobre as funções documental, política, econômica e sociológica do segmento.

“Uma indústria que move milhões de empregos em todo o mundo, é gênero de exportação de grandes países e gera bilhões e bilhões de dólares em receitas e impostos não tem nada de fútil. A palavra moda, que vem do latim modus, é um fenômeno sociocultural que expressa os hábitos e costumes de cada tempo”, explica a autora, cujas pesquisas desvendam tendências dos anos 1890 aos anos 2000. As leggins, plataformas, brilhos, ombreiras e moletons da década de 1980 - resgatados nas últimas temporadas pelas principais grifes internacionais e por produções recentes da televisão e do cinema  - têm suas origens destrinchadas: a obra torna claras as gêneses de cada modismo. Mas são os recentes anos 1990 que ganham destaque: “As ruas sempre se inspiraram em determinados aspectos da alta costura, da realeza. Mas, desde os anos 1990, o movimento tem sentido contrário. São os estilistas e designers que buscam inspiração nas ruas. A indústria da moda não quer e nem deve ficar restrita aos poucos clientes de maisons francesas, italianas, espanholas”, Mônica argumenta.

Estilo e atitude deposita sobre o pret-à-porter (itens “prontos para vestir”, um gênero intermediário entre o fast fashion e a alta costura, criado no pós-guerra) a aura de marco temporal  decisivo para a democratização do setor. E vislumbra um cenário ainda mais horizontal e customizado no futuro. “Cada vez mais, a tecnologia servirá para mudar paradigmas, baratear custos e ampliar as possibilidades. As impressoras 3D têm tudo para se popularizarem, não duvido que serão os novos estilistas daqui a 20 ou 30 anos. O motivo é óbvio: a individualidade e o único farão com que a moda seja absolutamente personalizada”, prevê a consultora.

Greta Garbo, Audrey Hepburn e Lady Di são algumas das principais referências de estilo destrinchadas pela escritora. Fotos: Reprodução da internet
Greta Garbo, Audrey Hepburn e Lady Di são algumas das principais referências de estilo destrinchadas pela escritora. Fotos: Reprodução da internet


E sendo possível pinçar alguns elementos-chave pairando acima das flutuações de moda investigadas no livro, mesmo em relação às décadas que ainda virão, pode-se dizer que o conforto é o principal deles. Mônica Ayub reforça o que escreveu a francesa Inès de La Fressange, ex-modelo e autora do bestseller A parisiense: o luxo está nos detalhes. “Sempre fui bastante básica. Nada como jeans, tênis e camiseta. No entanto, sempre gostei de acessórios. E eles criaram uma persona da qual passei a gostar”, diz a consultora, tomando a si mesma como exemplo da construção de identidade pessoal facilitada pela moda. Em capítulos como Com que roupa eu vou?, Quando o dress code não pode falhar e O que é certo e o que é errado?, a pernambucana oferece dicas, truques, conselhos. À reportagem, ela sintetiza: “O mais importante é ter autoestima, gostar de si mesma. Se você gosta de você mesma, já está com o caminho feito, pois jamais usará algo que não lhe dê conforto e confiança. Moda é estar seguro de si, rir de si mesmo, ter amigos. Ser feliz. Isso é o verdadeiro luxo.”

>> REFERÊNCIAS
A pernambucana lista, ainda, referências da moda dos dois últimos séculos, como Audrey Hepburn, Greta Garbo, Lady Di, Catherine Deneuve, Iris Apfel e Amal Clooney. Analisando suas personalidades, Mônica conclui que alguns pontos comuns a todas elas devem ser destacados: “São mulheres fortes e decididas, sabem o que querem, amam óculos enormes, adoram o que fazem e sabem ser competentes e competitivas”, diz a publicação. 

>> SERVIÇO
Lançamento do livro Estilo e atitude: reflexos da moda do século XIX ao século XXI
Quando: 4 de outubro, das 19h às 21h30
Onde: Livraria Cultura do Shopping RioMar (Av. República do Líbano, 251 – Pina)
Informações: 3256-7500

>> ENTREVISTA: Mônica Ayub, jornalista e consultora de imagem

Mônica Ayub se dedicou a desvendar as associações entre a moda, a política, a sociedade e a economia da Era Vitoriana aos dias atuais. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
Mônica Ayub se dedicou a desvendar as associações entre a moda, a política, a sociedade e a economia da Era Vitoriana aos dias atuais. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
O que pode, em sua opinião, ter modificado a dinâmica das ruas observando as passarelas, fazendo com que os grandes estilistas passassem a se inspirar nas ruas?
A liberdade de expressão, um dos direitos mais arraigados ao ser humano. As pessoas passaram a desejar conforto e criar seu próprio estilo de vida: comportamentos, profissão, vida social, jeito de vestir. Essa transformação fez com que o preceito se invertesse: a passarela olha as ruas e não mais o contrário. Isso é liberdade, apenas possível quando se está num estado democrático de direito. O mundo ocidental, na maioria dos países, tem a democracia como pilar da sociedade. Isso também influencia o estilo, jeito de vestir, enfim, a moda. Um exemplo prático é Semana de Moda de Milão: as rasteiras vieram com tudo: para o dia, a noite, para todas as ocasiões. Isso é puro reflexo das ruas.

Como avalia a evolução da preocupação com o meio ambiente no mundo da moda? 
É incrível que essa ideia tenha mais de 50 anos. É a década de 1960 revisitada. Por incrível que pareça apenas há alguns anos nos demos conta da importância de preservar o meio ambiente. Alguns estilistas, famosos como Stella McCartney e outros nem tão famosos, focam seus trabalhos – e suas vidas - na sustentabilidade. E isso é válido para a economia, a política e qualquer atividade humana. A preocupação com o planeta é séria, mesmo que alguns poderosos não acreditem. Felizmente, a nova geração está aí para mudar completamente a forma de ver e viver o mundo.

E como vê a mulher pernambucana nesse contexto global do mundo da moda? Como descreveria a identidade de estilo das pernambucanas?
Somos como todas as mulheres do mundo: queremos estar bem conosco, passar leveza e um ‘belo’ único para os outros. Estamos muito bem neste quesito. Basta olhar a moçada e ver que todas e todos estão em busca de conforto e liberdade. O que mudou é que ninguém mais se sujeita a regras que não estão de acordo com sua maneira de viver. Hoje, pernambucanas, brasileiras, mulheres do mundo todo se empoderam pelo que são e pela autoestima que têm.

Como se desenrolou a pesquisa para o livro? Por quanto tempo se debruçou sobre ela e quais as principais fontes?
As fontes são as mais variadas possíveis: livros de história, sociologia, arquitetura, gastronomia, sites específicos, história do vestuário e seus reflexos, e-books. Uma enorme biblioteca dos mais diversos assuntos que interagem de uma forma incrível. Aprende-se muito quando você mergulha neste universo. É um caminho enriquecedor e interessante, que lhe dá outro olhar para a vida. E o mais bacana é que uma informação puxa outra, que puxa outra… numa corrente sem fim. Você dá o tom para parar. É sua decisão, sua atitude que põe o ponto final. Caso contrário, ainda estaria escrevendo.

Como definiu o recorte temporal das pesquisas, da era vitoriana aos dias atuais?
Trazer o século 19 para mais perto é sempre fascinante. Foi um século de grandes transformações e mudanças. O século 20 aperfeiçoou as mudanças e tornou o mundo bem menor. Já o século 21 volta a olhar os séculos 19 e 20, mas com uma pegada do seu tempo: tecnológico, sustentável, mais saudável. Comportamentos, economia e política também fazem movimentos circulares e acabam influenciando essas releituras, esse ir-e-vir. É do ser humano criar sobre a criação. Não é redundância, é aperfeiçoamento.




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