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"Amo Moda, Amo Brasil" SPFW apresenta tendências e tenta levantar o ânimo dos brasileiros Um dos eventos mais aguardados da moda brasileira, a São Paulo Fashion Week N44 contou com a participação de 32 marcas

Por: Aline Ramos

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 03/09/2017 08:00 Atualizado em: 01/09/2017 14:18

Para todos os corpos, idades e gostos. São Paulo Fashion Week e a pluralidade da moda. 
Foto: Agência Fotosite/Divulgação
Para todos os corpos, idades e gostos. São Paulo Fashion Week e a pluralidade da moda. Foto: Agência Fotosite/Divulgação

"O Brasil vive um momento delicado, contaminado por uma série de notícias negativas que acabam criando um quadro polarizado. Mas o Brasil não é isso, é um país de uma riqueza e diversidade sem iguais, não podemos sentir vergonha do Brasil", afirmou Paulo Borges, diretor criativo da São Paulo Fashion Week, ao explicar o tema "Amo Moda, Amo Brasil", adotado nesta edição N44. O evento que teve início no último fim de semana, contou com a participação de 32 marcas, que utilizaram os principais pontos da capital paulista, como o Teatro Municipal e o Parque do Ibirapuera para mostrar as últimas novidades para a moda primavera/verão 2018.

O abre
A responsabilidade de dar o pontapé inicial de uma das principais semanas de moda do país ficou para a Iódice, que aproveitou para celebrar seus 30 anos, com um fashion show que ocupou a varanda do hotel seis estrelas recém-inaugurado, Palácio Tangará. Com cores fortes, a grife mostrou figuras geométricas, silhuetas ajustadas, algumas estampas de flores, zíperes e muitas franjas na sua coleção "Tropical Art".

Artes plásticas
A estilista Raquel Davidowicz trouxe para a Uma, a mistura do expressionismo abstrato norte-americano e o modernismo brasileiro, que juntos resultaram em alusões sutis ao trabalho caótico e visceral de Cy Twombly, com estampas de rabiscos manuais em peças urbanas e minimalistas, feitas em seda, algodão e cetim. Já as principais obras de Tarsila do Amaral como Abaporu e Antropofagia, além de rascunhos pouco conhecidos da artista serviram de inspiração para a Osklen, que apresentou padronagens que expressam a diversidade étnica e cultural do Brasil.

Mistico e esotérico
Paula Raia proporcionou aos seus convidados uma experiência dentro e fora das passarelas. Os convidados receberam uma lembrancinha fashion, um robe de linho cor de rosa claro logo na entrada da Flag, espaço artístico na Vila Madalena. Na sequência, os participantes foram conduzidos por quatro ambientes, nos quais as modelos dançavam e posavam como bailarinas em vez de cruzar a passarela. O resultado foi uma apresentação performática e sensorial, com direito a incenso no ar e quartzos rosa espalhados na decoração. O cristal, inclusive, serviu como referência também para a coleção, toda em tons rosados. Algodões, rendas e rechekieu ganharam aplicações, bordados vítreos, em uma simetria inspirada em Martin.

Na mesma pegada do universo esotérico, Fabiana Milazzo expôs criações com transparências e fluidez. Seus vestidos de festa feitos em seda pura, chiffon e organza, ofereceram uma cartela suave, em tons de azul celeste, amarelo cítrico, off white, rosé e preto. As modelagens possuíam decotes, assimetria na cintura e os vestidos de lamê ajustados ao corpo. Já os bordados exploraram temas surreais e oníricos para contar histórias de um mundo onde tudo pode acontecer.

"Mr. Presidente, se você não pensa no Brasil, pense nos netos do Michelzinho". 
Foto: Agência Fotosite/Divulgação
"Mr. Presidente, se você não pensa no Brasil, pense nos netos do Michelzinho". Foto: Agência Fotosite/Divulgação
Política
Conhecido por seus desfiles engajados, o fashion designer mineiro, Ronaldo Fraga, aproveitou sua apresentação para protestar contra o decreto do presidente Michel Temer que extinguia uma reserva mineral na Amazônia. O estilista usou uma t-shirt com a frase: "Mr. Presidente, se você não pensa no Brasil, pense nos netos do Michelzinho". O tom político esteve presente em todo o desfile. As peças criadas por Fraga rementem a moda praia dos anos 20.

Geometria
Lenny Niemeyer buscou referências nas artistas plásticas Hilma Af Klint e Emma Kunz, pioneiras do abstracionismo geométrico, para criar maiôs com estampas localizadas, peças em degradê de rosa e vestidos, macacões e blazer longos com listras pretas verticais.

Da periferia para os palcos
A Lab Fantasma agora possui a direção criativa dos próprios donos: os irmãos e rappers Emicida e Fióti. A dupla exibiu a coleção “Avuá”, que retrata o início da carreira dos dois na música. Com traços fortes de streetwear esportivo, combinando modelagens oversized, amplas e confortáveis, jaquetas bomber alongadas com “hoodies”, os capuzes, flertavam com a estética “bling” do universo da black music. Tudo pautado por uma leveza que fez jus ao tema central, a partir de tecidos como nylon, malha e sarja. Na cartela de cores, tons de azul, do celeste ao marinho, aliados ao cinza e os alaranjados, em uma fina representação das cores do céu em seus diferentes momentos. A estamparia traduziu o tema em pássaros, penas, letreiros e logos, uma mistura que imprimiu vida à coleção.

O que se viu foi uma make fresh. Celso Kamura abusou da leveza para o desfile de Giuliana Romano. Foto: Agência Fotosite/Divulgação
O que se viu foi uma make fresh. Celso Kamura abusou da leveza para o desfile de Giuliana Romano. Foto: Agência Fotosite/Divulgação

Beleza iluminada
O que se viu nas passarelas e nos arredores da SPFW N44 é que a pedida para o verão 2018 é uma make mais natural. As modelos produzidas pelo maquiador Celso Kamura para Giuliana Romano são prova disso. O detalhe que fez toda diferença foi o efeito de brilho discreto no olhar. Nelas, além do iluminador no cantinho interno dos olhos, outra característica que se destacou foi o blush um pouco mais marcado em tom rosa e a textura glossy nos lábios.

Para todas as idades
Gloria Coelho proporcionou uma apresentação com modelos de idades variadas para se enquadrar na tendência, cada vez mais presente, de que a moda não tem nem idade, nem tamanho único. Ronaldo Fraga também seguiu a mesma ideologia e trouxe modelos de diferentes idades e portes físicos. Um casal de idosos tatuados e uma mulher com uma prótese na perna foram os destaques.

Desfile da russa Jahnkoy. Foto: Agência Fotosite/Divulgação
Desfile da russa Jahnkoy. Foto: Agência Fotosite/Divulgação
Convidada estrangeira
A artista Jahnkoy fez sua aguardada apresentação no meio da Bienal durante o SPFW. Russa radicada em Nova York, ela foi uma das finalistas do Prêmio Louis Vuitton deste ano por conta do seu trabalho com imagens e mensagens igualmente poderosas. Os modelos negros desciam a rampa da Bienal e entravam no meio de um círculo de pessoas que se aglomeravam para ver a performance. Em silêncio, o público apreciou cada detalhes das roupas elaboradas e poderosas, que levantam questões sobre a sustentabilidade do sistema atual e buscam trazer consciência aos consumidores sobre outros modos mais viáveis de produção, distribuição e consumo. Um dos looks trazia escrito 1,99 em referência aos baixíssimos preços praticados pelas redes de fast fashion, sistema que Jahnkoy critica.

Encerramento
A Natura assumiu o encerramento da SPFW, nessa sexta-feira (01), com o slogan #TodaBelezaPodeSer, a marca de cosméticos mostrou uma linha desenvolvida durante essa mesma semana com o apoio de talentos locais.



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